Sobre a liberdade de viver sem a obrigação de ser alguém diferente.

Durante muito tempo, podemos acreditar que amadurecer significa corrigir nossos defeitos, controlar pensamentos, superar fraquezas e nos tornar alguém melhor. Como se existisse uma versão ideal de nós mesmos esperando para ser alcançada.

Não tenho mais tanta certeza de que seja assim.

Há momentos em que a vida deixa de corresponder às nossas expectativas. Perdemos referências, lamentamos o que aconteceu, desejamos que tudo fosse diferente. Procuramos explicações, culpados ou alguma maneira de recuperar o que já não existe.

Até que, certa manhã, percebemos que ainda temos um dia pela frente.

E começamos por ele.

Levantamos, cuidamos da casa, preparamos uma refeição, organizamos o que está ao nosso alcance. Gestos simples, quase invisíveis, que podem representar uma escolha profunda: continuar cuidando da própria existência, mesmo quando ela não é a que gostaríamos de viver.

Foi assim que comecei a compreender a resignação.

Resignar-se não é desistir. Desistir é abandonar aquilo que ainda podemos fazer. Resignar-se é aceitar aquilo que não podemos mudar, sem abandonar o que ainda depende de nós.

A desistência nos afasta da vida. A resignação consciente pode nos devolver a ela.

Não significa considerar justo o que aconteceu, encontrar sentido em todo sofrimento ou renunciar à possibilidade de mudança. Significa apenas não exigir que a realidade seja diferente para continuar vivendo.

Com o tempo, outras necessidades também podem perder a força: controlar tudo, ter razão, julgar as escolhas alheias ou encontrar respostas definitivas para cada inquietação.

Aprendemos a escutar mais e a reagir menos.

Até nossos pensamentos passam a ocupar outro lugar. Nem tudo o que surge na mente precisa ser combatido, explicado ou transformado em ação. Alguns pensamentos podem simplesmente passar.

A maturidade começa quando deixamos de tratar a nós mesmos como um problema que precisa ser resolvido.

Isso não significa ignorar nossos erros ou abandonar o desejo de aprender. Significa compreender que podemos mudar sem rejeitar quem somos.

Podemos viver cada dia com dignidade, mesmo sem entender tudo o que nos acontece.

Talvez amadurecer não seja finalmente nos tornarmos quem deveríamos ser, mas deixar de abandonar quem somos enquanto aprendemos a viver.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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