Hoje, ao acordar, subi na balança como faço quase todos os dias.
É um pequeno ritual de cuidado com o corpo. Olhei o número: 73,5 kg. Desci. Subi novamente, quase como quem busca confirmar a realidade. Dessa vez, a balança marcou 74,6 kg.
Quase um quilo de diferença.
Sorri em silêncio.
E me veio um pensamento estranho, quase infantil, mas profundamente simbólico:
“Deve ser minha alma que acabou de fazer download para o corpo.”
Às vezes, o corpo acorda antes da alma.
Levantamos, pesamos, comemos, respondemos mensagens, resolvemos problemas, cumprimos tarefas. Tudo parece correto, funcional, necessário. Mas algo ainda não chegou por inteiro.
A presença.
A alma.
Fernando Pessoa escreveu: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”
Talvez seja isso. A vida não se mede apenas pelo que nos acontece, mas pela profundidade com que somos capazes de viver o que nos acontece.
O corpo pesa. A alma dá peso ao que importa.
O corpo acorda. A alma desperta.
O corpo reage. A alma escolhe.
Viver sem alma talvez seja apenas funcionar. Reagir às circunstâncias, usar somente a razão, atravessar o dia sem escutar aquilo que, silenciosamente, nos torna humanos.
Não penso a alma como fuga do mundo. Penso a alma como aquilo que nos permite entrar no mundo sem sermos engolidos por ele.
Ela é o lugar de onde nasce a escolha.
Por isso, antes de começar o dia, talvez valha a pena chamar a alma de volta.
Respirar antes de correr.
Silenciar antes de responder.
Agradecer antes de pedir.
Sentir antes de decidir.
Porque um dia vivido sem alma pode até ser produtivo, mas dificilmente será verdadeiro.
Vá para dentro de si e seja livre.

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