Esta manhã, enquanto dirigia para levar o Jr. à terapia, uma expressão surgiu inteira em minha mente, como certos pensamentos que não parecem construídos — apenas encontrados.
Consciência ativa.
Horas antes, eu havia acordado e ido para o meu local de escrita, mas não escrevi nada.
Não havia frase pedindo para ser registrada.
Havia apenas o instante: a luz quente, o aroma de canela e um jazz tocando em volume baixo.
Não tentei transformar aquilo em palavras.
Apenas observei.
E me senti completo.
Foi então que percebi a diferença.
Quando falamos em consciência, pensamos geralmente na capacidade de perceber a realidade e saber que existimos.
Mas uma pessoa pode trabalhar, tomar decisões, cumprir suas obrigações e, ainda assim, atravessar a vida inteira sem compreender verdadeiramente o que a move.
Pode acreditar que escolhe quando apenas reage.
Pode imaginar que deseja quando apenas tenta corresponder ao que os outros esperam dela.
Pode repetir os mesmos conflitos, as mesmas relações e os mesmos comportamentos sem nunca se perguntar por quê.
Talvez seja essa a diferença entre ter consciência e viver com a consciência ativa.
A consciência comum sabe que estamos no mundo.
A consciência ativa percebe como estamos vivendo nele.
E, para descobrir isso, precisamos perguntar:
De onde vêm as escolhas que repetimos?
Quanto de nossa vida nasce de uma decisão verdadeira e quanto é apenas uma resposta automática ao medo da rejeição, à necessidade de pertencimento ou ao desejo de aprovação?
Não são perguntas confortáveis.
Mas talvez estejam entre as que mais valem a pena.
Consciência ativa não é eliminar o pensamento — é conseguir observá-lo.
Não é parar de desejar — é compreender o que alimenta cada desejo.
Não é anular a emoção — é impedir que ela decida sozinha o rumo da vida.
É o instante em que corpo, sentidos e mente finalmente se encontram no mesmo lugar.
É quando deixamos de viver divididos entre aquilo que sentimos, aquilo que pensamos e a maneira como agimos.
E é nesse pequeno espaço — entre o que acontece e a forma como reagimos — que a liberdade começa.
Porque consciência ativa não é apenas saber que estamos vivos. É deixar de assistir à própria vida de longe.

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