Arbítrio privado: condenação sumária

Desde nossos ancestrais (sapiens) até nossos dias, desenvolvemos uma infinidade de competências que nos permitiu organizar a vida em sociedade, destas, a mais controvertida é a de fazer julgamentos, sobremaneira, aqueles julgamentos de caráter privado, que ocorrem quando atribuímos a outrem determinada culpa, mesmo sem lastro de realidade.

Estudos da nossa psique nunca foram muito precisos quanto aos motivos pelos quais fazemos julgamentos, seja para imitarmos o Criador na expulsão do primeiro casal do paraíso ou não, fato é que, julgamos nossos semelhantes com muita frequência, e muitas das vezes os condenamos por um critério estritamente subjetivo, ou seja, sem considerarmos os fatos.

Para melhor ilustramos o tema, relembramos os julgamentos na antiguidade, que eram bizarros: na idade média amarrava-se uma pedra no pescoço do(a) acusado(a) e lançava-o(a) num rio, se sobrevivesse, então era inocente. O assustador é que ainda hoje fazemos árbitros injustos: (julgamos e condenamos sumariamente), tal como na antiguidade, porque não é incomum atribuímos a culpa a alguém antes mesmo do devido conhecimento dos fatos.

Há, portanto, arbitrariedade no afã de fazer “justiça”, e isso, é inconteste no seio da nossa civilização. Na justiça pública existe o meio legal (judiciário) onde mais de duas esferas de juízes podem rever julgamentos. Porém, o mesmo não ocorre na vida privada: acusação e condenação informal são proferidas a todo instante: suspeito(a) é condenado(a), muito diferente da seara pública, pois na primeira não existem tribunais de apelação.

Não obstante, as longevas tentativas da religião e da filosofia em mitigar os problemas causados por julgamentos sumários. As religiões a chamam de justiça divina, vontade de Deus, a filosofia por seu turno, contribuiu com um intrincado conceito de justiça: leis de causa e efeito, etc.

Por fim, seja como for, na antiguidade ou na era da informação, fato é que somos condenados por nossos pares em julgamentos subjetivos: você é culpado(a) e pronto. A quem devemos apelar, onde está  o senso de realidade, os fatos?

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