REFLEXÃO: JÁ ESTEVE NO INFERNO?

Você vai para o inferno, porque você pecou, você é culpado! —, muitos dirão “Deus me livre!”

Fato é que o termo inferno está no imaginário popular como sendo um local físico e existente, o mundo de punições, aquele reservado aos maus. Foi muito ensinado pelas religiões que é “um lugar destinado ao castigo eterno as almas dos pecadores, por oposição ao céu’.

Credito que tal crença para chegar até nossos dias foi devido em grande parte ao ‘marketing’ da obra de Dante Alighieri: (“DIVINA COMÉDIA”, do século XV). Ao que tudo indica, essa obra (livro) serviu aos propósitos de proselitismo da religião dominante e como meio coercitivo desde aquele período obscuro da humanidade.

Vale destacar a maneira como aquele autor descreveu o “destino” das nossas almas —, segundo as nossas culpas —, nossos pecados —, é muito assustador. Mas, ainda hoje é apregoado por muitas religiões como o castigo numa pós vida. Com o devido respeito a fé de quem pensa assim —, DISCORDAMOS…

Embora, não gosto de discutir teologias aqui, reconheço o poder dramático que o “inferno” tem sobre nós, porque a simples ideia de condenação ao “inferno” tem o potencial para fazer muitos de nós (refletirem) sobre as nossas atitudes, ou, ao menos temer pelo possível e nefasto destino.

Porquanto, o inferno está bem mais perto de nós do que muitos imaginam. Para compreender melhor proponho que reflitamos sobre a metáfora “ir para o inferno” —, será que para realizar a “viagem ao inferno” é mesmo necessário morrer?

Quem nunca disse me sinto culpado por isso ou aquilo? —, quando nos sentimos assim a culpa nos toca de maneira profunda. Mexe com as nossas emoções e por certo atinge a nossa alma —, há indivíduos, que fazem coisas atrozes com si mesmos, por exemplo, no dia-a-dia sabemos de pessoas que dão cabo das próprias vidas tudo pelo sentimento de culpa.

Contudo, desde século XIX, com o surgimento dos estudos da psicanálise muitas das crendices milenares vem perdendo sentido desde então, por exemplo, dentre outras, sobre a culpa. É dito que a culpa “é um sentimento emocional que está intimamente relacionado ao remorso e ocorre quando uma pessoa acredita, ou percebe que comprometeu seus próprios padrões de conduta, ou ainda, deriva das violações dos padrões morais (universais), e que, em geral, tem responsabilidade significativa por essa violação”.

Penso que sentir culpa não é de todo mal, porque quando nos sentimos culpados demonstramos em primeiro lugar que temos empatia, podemos sentir a dor do outro. Significa, ainda, que de certo modo somos “normais”, isto é, só os psicopatas não sentem remorsos, culpas.

Viver constantemente se culpando por tudo é certamente uma patologia psíquica, uma doença da alma. Sou empirista por isso busco refletir sobre as experiências pessoais e/ou de pessoas próximas que viveram o limiar de seus infernos e algumas dessas até como finais trágicos.

Ademais, a culpa de fato nos leva ao inferno. Porém, não ao inferno de Dante! Ou, aquele das crenças milenares. A culpa, se trata antes de tudo, de um sentimento que nos corrói por dentro, ela nasce nas profundezas das nossas almas, mas, no fundo, derivam dos valores e das nossas crenças.

Por fim, a culpa pode ser compreendida através do autoconhecimento, identificando nossos próprios “demônios”, podendo ser enfrentados e vencidos, sendo que é uma luta que ocorre em nós mesmos. Para fazer isso, devemos começar nos perdoando e esquecendo ao invés de nos culpar. O inferno só pode existir dentro de cada um de nós, sendo uma espécie de prisão onde carcereiro é a nossa própria consciência.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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