Pode parecer radical dizer isso, mas basta ler os comentários em “matérias jornalísticas” ou nas redes sociais para entender o que é a cegueira social. É inacreditável o que se lê ali: 99% das palavras escolhidas para o “diálogo” são carregadas de ódio, intolerância e uma avalanche de pensamentos que flertam com a insanidade.
Sempre me considerei uma pessoa comum, alguém socialmente mediano. Por exemplo, nunca fui extremamente engajado em causas sociais ou projetos voluntários. Contudo, sempre tive um senso de justiça e ética que ultrapassa as convenções e as verdades moldadas pelo chamado “politicamente correto.”
Não me apego a saudosismos, nem idealizo tempos passados como sendo melhores ou piores do que os de hoje. Ainda assim, é impossível ignorar o fato de que estamos vivendo no limiar da ignorância.
O Desprezo pelo Pensamento
Recentemente, ouvi algo que ilustra bem essa situação. Uma pessoa de posses e bem relacionada me disse: “O importante é ganhar para o próprio sustento e ter uma religião; de resto, para nada serve.” Fiquei perplexo com tamanha superficialidade e imediatamente lembrei das sábias palavras de Aristóteles, ditas séculos antes de Cristo.
Esse mesmo interlocutor completou: “Para que pensar, né? Melhor é viver o momento e curtir a vida.” Confesso que fiquei chocado com essa afirmação e me perguntei: Qual é o objetivo de alguém assim em buscar uma religião? Que tipo de aprendizado espera encontrar?
A Realidade do Automatismo
Hoje, milhões de pessoas vivem no modo automático, sendo facilmente arrebanhadas por credos que nada lhes ensinam sobre a verdadeira essência da vida. Essas crenças não ajudam a entender como as coisas realmente são, nem promovem o mínimo discernimento.
Sem reflexão, como essas pessoas poderão compreender a própria existência? Como poderão questionar os motivos pelos quais estão aqui?
Por fim, vivemos em tempos onde o pensamento crítico é cada vez mais raro. A cegueira social que vemos ao nosso redor não é apenas fruto de desinformação, mas de uma escolha consciente de evitar o esforço de pensar, de refletir sobre si mesmo e sobre o mundo.
O desafio que temos diante de nós não é apenas lutar contra a intolerância ou a ignorância visível nos discursos carregados de ódio, mas também inspirar as pessoas a se questionarem, a refletirem sobre suas vidas e a buscarem um entendimento maior da sua própria existência.


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