Há estados da vida em que não estamos exatamente angustiados, nem propriamente tristes.
Estamos suspensos.
Uma apreensão difusa, silenciosa, que não aponta para um fato concreto, mas ocupa o corpo inteiro.
É isso que comumente chamamos de ansiedade.
Talvez seja mais preciso entendê-la como um estado psíquico-fisiológico.
Ela não nasce apenas na mente — manifesta-se no corpo, no sono interrompido, na respiração curta, na inquietação sem nome.
Quase sempre tentamos escapar dela.
Alguns recorrem a substâncias.
Outros buscam técnicas, métodos, exercícios de controle.
Mas a pergunta essencial permanece:
por que entramos tão facilmente nesses estados?
Há quem viva naturalmente em estado de alerta.
Posso falar por mim.
Quando percebo a ansiedade se aproximando, não tento vencê-la.
Paro.
E pergunto: por que estou ansioso agora?
Começo pela razão — não para dominar, mas para compreender.
Depois, caminho.
Sem destino.
Sem meta.
Apenas caminho, como quem devolve o corpo ao tempo real.
Às vezes, sou mais radical.
Digo para mim mesmo: que se dane.
E, curiosamente, funciona.
Nas madrugadas recentes, a ansiedade tem se manifestado de outra forma: o despertar precoce.
Sou arrancado do sono — profundo ou REM — e não consigo retornar.
A mente, então, se ocupa de tarefas, compromissos, pequenas urgências que ainda nem existem.
É ali, no silêncio da madrugada, que a questão se revela.
A ansiedade nasce da expectativa.
Da tentativa humana de controlar o que ainda não aconteceu.
Como microcosmos, criamos cenários, antecipamos riscos, projetamos desfechos.
Como macrocosmos, o universo se expande sem pedir permissão para ser compreendido.
Talvez o sofrimento esteja justamente aí:
somos seres de consciência vivendo com uma mente treinada apenas para a lógica linear.
Tentamos controlar o mundo dos cinco sentidos, ignorando que, em seu nível mais elementar, tudo é consciência — inclusive nós.
A ansiedade não é um defeito.
É um sintoma.
Um chamado silencioso para sair da ilusão de controle e retornar ao presente.
Ao corpo.
À experiência viva de estar aqui.
Inside
Vá para dentro. Seja livre.

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