A vida fora da zona de conforto

Um sábio disse: “A vida começa onde sua zona de conforto termina”. E essa reflexão é a primeira atitude necessária nessa jornada de autodescoberta.

Nossas crenças moldam nossa percepção do mundo e influenciam profundamente nossas emoções. Muitas vezes, quando enfrentamos dificuldades, nos sentimos incapazes de enxergar soluções, porque a mente tende a focar no sofrimento e na sensação de aprisionamento. No entanto, o ditado popular “o que não te mata, te fortalece” sugere resiliência, mas o verdadeiro desafio está no presente, no agora.

Um dos maiores obstáculos que encontramos em nossa trajetória é a tendência da mente de nos prender em expectativas muitas vezes irreais. Quando esperamos que pessoas ou situações ajam de determinada maneira e isso não acontece, a frustração surge, seguida de sofrimento. Isso nos leva à compreensão de que grande parte do nosso sofrimento decorre da discrepância entre o que idealizamos e o que de fato ocorre.

Há também um ensinamento valioso no ditado “há tempo para tudo”. Ele nos lembra que existe um ritmo natural nas coisas e que nem sempre podemos controlar ou apressar o curso dos eventos. Contudo, a mente humana frequentemente se impacienta, desejando resultados imediatos, especialmente em momentos de crise. Nesses momentos, o sofrimento emocional se intensifica, exacerbado pela ansiedade e pelo medo do desconhecido.

O sofrimento está enraizado em nossa visão limitada do mundo. Viktor Frankl dizia que “entre o nascer e o morrer, existe o sofrimento“, e que a adversidade é inevitável. Mas, ao focarmos tanto em nossos próprios desejos e necessidades, esquecemos que o outro – seja uma pessoa ou uma circunstância – tem suas próprias variáveis e subjetividades.

O ditado “cada cabeça, uma sentença” reforça que, por mais que desejemos controlar ou prever o comportamento alheio, cada indivíduo é movido por suas próprias crenças, valores e experiências. E isso muitas vezes nos frustra, porque esperamos que os outros compartilhem de nossa visão ou ajam conforme nossas expectativas.

Nesse sentido, o desapego se torna um conceito relevante. Bruce Lee certa vez disse: “deixe tudo que não for essencial“. Aceitar que não temos controle total sobre os outros ou sobre eventos externos pode nos trazer paz. A aceitação de que cada pessoa tem sua própria jornada e que nem tudo depende de nós é um passo fundamental para aliviar o sofrimento.

Muitas filosofias, como o budismo, pregam o desapego das expectativas justamente para diminuir o sofrimento que surge do conflito entre desejo e realidade.

O que dizer do “sofrer por antecipação”? Isso é algo comum. Muitas vezes criamos cenários de dor e dificuldade antes mesmo que eles se concretizem, simplesmente porque nossa mente está condicionada a ver o mundo de forma limitada.

A prática da atenção plena, viver o presente, pode ajudar a quebrar esse ciclo, concentrando-nos no presente e aceitando as coisas como elas são, sem projetar medos ou expectativas no futuro.

Portanto, o sofrimento não vem tanto do problema em si, mas de como o percebemos e reagimos a ele. Ao expandir nossa visão, praticar o desapego e aceitar que o controle é limitado, começamos a nos libertar da prisão mental que criamos. Isso não significa resignar-se ou não agir, mas agir a partir de uma posição de aceitação e resiliência, o que nos torna mais fortes e menos vulneráveis ao sofrimento.

Uma resposta para “A vida fora da zona de conforto”.

  1. Avatar de fredmazoni98

    Muito bom, senão muitíssimo oportuno para mim sua reflexão, caro escritor!! Você ajudou-me, e muito, a tomar uma decisão que estava adiando há tempos em minha vida… Muito obrigado 😊😊😊😊!!!

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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