São tempos sombrios para os pensadores. Recentemente, no Brasil, vivemos uma eleição geral que revelou um fenômeno preocupante: a força das ideologias, os remotos “ismos”.
O individualismo parece ceder lugar ao pensamento massificado, onde quem ousa divergir parece ser excluído. Vozes dissidentes são silenciosamente abafadas, e tudo sugere que, se você não escolher entre direita ou esquerda, está fora.
Vivemos em uma época em que tudo parece seguir uma lógica rígida e inquestionável: o certo é o certo, e ponto. Contudo, partindo do pensamento de Descartes, expresso no Discurso do Método: “Se duvido, penso; se penso, logo existo,” compreendemos que é pela dúvida que o pensamento se inicia. É daí que tudo deveria começar.
Filosofia à parte, vale a pena refletir, de uma perspectiva existencial, sobre nossas escolhas e ações. O que consumimos, como nos divertimos, o que ouvimos, assistimos e até como vivemos nossa espiritualidade: será que essas decisões são realmente nossas?
A verdade é que, para a maioria, as escolhas são condicionadas. O modo de consumo é frequentemente sugerido de forma quase automática pela internet ou pelo marketing tradicional. O mais preocupante é que assimilamos essas “facilidades” como se fossem meras comodidades, sem perceber a influência que exercem sobre nós.
No plano existencial, há uma contradição gritante. Pensar ou escolher deveria ser uma atividade essencialmente subjetiva, um exercício do nosso livre-arbítrio. Precisamos retomar o hábito de pensar conscientemente e fazer escolhas que verdadeiramente reflitam nossa vontade. Não podemos aceitar nos tornar meros objetos animados, como personagens de uma obra de ficção.
Por fim, devemos dar um sentido à nossa existência, vivendo a verdade de nossas escolhas. Não podemos nos submeter a algo apenas para sermos aceitos por um grupo ou meio social que detém o “status” de ideal em uma determinada tribo.
No momento em que abandonamos nossa subjetividade para seguir escolhas alheias, reduzimos nossa humanidade racional a uma mera obra de ficção. Escolher conscientemente, mesmo em tempos de pressão ideológica e conformismo, é um ato de resistência. É o que nos mantém humanos.


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