#41 – Conhece-te a Ti Mesmo: Reflexões Sobre a Consciência e a Humanidade

Quantos de nós podem realmente dizer como a vida funciona? Não estamos falando de biologia ou da realidade física inevitável que conhecemos — nascimento, desenvolvimento e morte. Referimo-nos à compreensão da parte mais nobre do nosso ser: a nossa consciência, que muitos acreditam ser derivada de uma alma imortal. De que adianta conhecer a ciência da vida física e ignorar os mistérios da nossa existência?

Nesta reflexão, como sempre fazemos aqui, não temos a pretensão de explicar tudo. Buscamos entender por que somos tão contraditórios. De um lado, temos consciência e capacidade racional; do outro, frequentemente agimos impulsionados por instintos e desejos superficiais, direcionados pelas regras de consumo. Somos influenciados a acreditar no que devemos ler, assistir, consumir e até no que considerar verdade e beleza. Nesse contexto, a verdadeira liberdade de escolha parece inexistente.

Essa falta de liberdade nos leva a criar expectativas irracionais ou superestimadas — em relação a eventos cotidianos, às pessoas ao nosso redor e até sobre nós mesmos. Inevitavelmente, nos deparamos com frustrações e decepções frequentes.

Um conceito essencial para essa reflexão é a transitoriedade da vida. Tomar consciência da impermanência é meio caminho andado para compreender o processo da existência. Devemos aprender a parar de lutar contra a vida, aceitar os erros como aprendizado e criar expectativas mais racionais, especialmente sobre como nos relacionamos com os outros.

Pode-se argumentar que muitas pessoas passam pela vida sem jamais fazer tais reflexões e ainda assim se sentem felizes. No entanto, essa felicidade baseada na ignorância se assemelha à vivência de animais irracionais, que buscam apenas abrigo, alimento, proteção e procriação.

Entretanto, vivemos uma crise existencial evidente, constatada pelo aumento de suicídios, relacionamentos instáveis, crises de identidade e a necessidade crescente de intervenção estatal em aspectos essenciais da vida, da concepção à morte. Essa situação revela uma sociedade fragilizada, onde tudo é relativizado e subscrito ao politicamente correto.

Além disso, estamos constantemente à flor da pele. Qualquer evento é motivo para revolta, e procuramos culpados para nossas frustrações e desalento.

Os sábios da antiguidade já advertiam: “É chegado o reino dos céus”, um reino que podemos interpretar como o “reino da consciência”. Esse é um reino do ser, e não do ter. Não se trata aqui de dogmas religiosos, mas da compreensão desse mistério que nos inquieta e desafia nossas expectativas diante da vida.

Infelizmente, gradualmente perdemos nossa individualidade e, com ela, nossa humanidade. Estamos à beira de uma ruptura com a vida concreta, prestes a ceder lugar a uma existência automatizada, onde decisões serão tomadas por algoritmos, guiados apenas pelo que é considerado “bem para a coletividade.”

O que nos restará, então, para preservar nossa humanidade? A resposta, como sempre, está nas soluções mais simples. Se olharmos para dentro de nós, encontraremos o caminho. Como disse um rabino: “Vá para dentro de si e enfrente as maiores guerras.” Quem vence um inimigo é vitorioso; quem vence a si mesmo é um sábio.

Por fim, compreender o que realmente somos e agir de acordo com nossa consciência nos permitirá desvendar muitos dos mistérios do universo. Como dizia o oráculo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” Com o autoconhecimento e a compreensão do que nos cerca, estaremos prontos para viver a nova era que se aproxima.

Uma resposta para “#41 – Conhece-te a Ti Mesmo: Reflexões Sobre a Consciência e a Humanidade”.

  1. Avatar de dulcedelgado

    Esse é o grande desafio e a grande jornada desta Vida: aprender a estar/aceitar os outros; e aprender a estar connosco, tentando sempre ser um pouco “melhores de alma”!
    O resto são detalhes.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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