#52 – Decepção: Reflexões Sobre Expectativas e Realidade

Se há algo tão antigo quanto a consciência humana, é a decepção. Ela é contemporânea ao próprio surgimento da consciência. Não importa o quanto retrocedamos na história da humanidade, sempre encontraremos relatos de pessoas se decepcionando com as atitudes de outras.

Então, por que algo tão antigo persiste, apesar de toda a nossa evolução ao longo de milhares de anos? Por que ainda não conseguimos nos livrar da dita decepção com pessoas?

Essa reflexão é, acima de tudo, uma constatação. Quem pode afirmar que nunca se deparou com atos ou eventos envolvendo pessoas próximas que trouxeram a amarga “dádiva” da decepção?

Além disso, o tema merece atenção por ser uma das maiores dores emocionais que podemos sentir. “Atire a primeira pedra quem nunca se decepcionou com alguém,” parafraseando o evangelista João.

Antes de responder a essa questão, é essencial compreender o que é, de fato, a decepção. Segundo os dicionários, “decepção ou desilusão é o sentimento de insatisfação que surge quando as expectativas sobre algo ou alguém não se concretizam.” O termo é autoexplicativo.

Na psicanálise, porém, a decepção é vista como um processo de ilusão e desilusão. Freud afirmou: “Porque destruímos as ilusões, acusam-nos de colocar em perigo os ideais.” Esse paradoxo freudiano evidencia a complexidade desse sentimento. De forma mais estrita, a desilusão é um desencantamento profundo, decorrente de uma experiência negativa. Pressupõe que nos enganamos sobre algo ou alguém em quem, em algum momento, acreditamos.

Quando nos decepcionamos, vivenciamos emoções poderosas, que podem ser devastadoras. Em casos extremos, a decepção pode levar a consequências fatais, como suicídios, demonstrando o impacto emocional desse sentimento.

Mas, afinal, quem é o culpado pela decepção?

A resposta não exige divagações extensas. A decepção está profundamente condicionada ao sentimento de posse que projetamos em algo ou alguém externo a nós. Depositamos expectativas — frequentemente superestimadas — sobre situações ou pessoas.

Com frequência, ouvimos frases como: “Fulano me decepcionou,” atribuindo toda a culpa ao outro. Porém, esquecemos que fomos nós mesmos que criamos expectativas além do razoável. Como diz a sabedoria popular: Quanto maior a altura, maior será a queda.”

Por fim, para preservar nossas emoções, é fundamental evitar superestimar sentimentos e esperar reciprocidade idealizada das pessoas. Os antigos sabiamente diziam: Embora dóceis, os cavalos sempre dão coices; assim como as pessoas, inevitavelmente, podem nos decepcionar.”

2 respostas para “#52 – Decepção: Reflexões Sobre Expectativas e Realidade”.

  1. Avatar de Rosineide
    Rosineide

    Perfeito seu texto….realmente é isso.

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  2. Avatar de Odete Rodrigues Caldeira
    Odete Rodrigues Caldeira

    Se houve a necessidade de uma separação é porque houve antes uma decepção, uma traição, uma quebra de confiança. Então aprendi que os seres humanos não é tão facil. Aceitar ou não como são depende do quanto podemos suportar as desilusões.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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