SOPHIA NAS RUAS

Acordei pensando em Sophia.

Curioso.

Horas antes eu havia assistido a um noticiário internacional.
Falava de bombardeios.
Falava de líderes mortos.
Falava de tensão.

Mas o que me ficou não foi o som das explosões.

Foram as jovens.

Nas ruas de Teerã.

Celebrando.

Vestidas com trajes tradicionais da antiga Pérsia.

Havia algo ali que não era sobre guerra.

Era sobre respiração.

  •  

Confesso.

Senti esperança.

E senti alívio.

Talvez porque estou me tornando avô novamente.
Talvez porque, aos cinquenta e oito anos, meu olhar já não é apenas para o presente.

Eu penso no mundo que minhas descendentes viverão.

  •  

Sophia significa sabedoria.

Mas não a sabedoria acadêmica.

A sabedoria que sobrevive.

A sabedoria que atravessa impérios, regimes, ideologias.

A sabedoria que espera.

  •  

Há comportamentos rígidos.

Há sistemas fechados.

Há opressões históricas.

Mas a história não é imóvel.

Ela pulsa.

E quando pulsa, rompe.

  •  

Pode soar utópico desejar um mundo com menos opressão.

Pode parecer ingenuidade falar em felicidade coletiva.

Mas se não houver dentro de nós essa esperança, o que resta?

Cinismo?

Indiferença?

  •  

Eu não controlo a geopolítica.

Não determino o destino das nações.

Mas posso escolher o tipo de consciência que cultivo.

Em mim.

Na minha casa.

Na forma como educo.

Na forma como escuto.

  •  

Paz e responsabilidade caminham juntas.

A paz vem quando percebo que nada é eterno — nem mesmo as estruturas mais duras.

A responsabilidade surge quando lembro que o futuro começa nas pequenas decisões de hoje.

  •  

Talvez Sophia não esteja nos livros antigos.

Talvez esteja nesse movimento silencioso da alma coletiva que insiste em respirar.

Mesmo sob ruído.

Mesmo sob tensão.

Mesmo sob medo.

  •  

Eu escolho acreditar que a consciência humana amadurece.

Lentamente.
Irregularmente.
Mas amadurece.

E enquanto amadurece, eu sigo fazendo a minha parte.

Em silêncio.
Com presença.
Com esperança.

Porque talvez a verdadeira mudança não comece nas ruas…

mas no instante em que alguém decide, dentro de si, não abandonar a luz.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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