Hoje completo 60 anos.
Não acordei com sensação de vitória.
Nem com nostalgia.
Acordei com algo mais simples: expansão.
Estou escrevendo à beira de uma piscina, ouvindo o som constante da água caindo.
Sem pressa.
Sem metas para cumprir.
Sem desejos urgentes.
Há alguns anos, eu talvez pensasse no que ainda preciso conquistar.
Hoje penso no que já foi integrado.
Recebi mensagens das minhas filhas, dos meus genros, da minha esposa, da mãe das minhas filhas.
Palavras que se repetem de formas diferentes: presença, cuidado, conselho, reunião.
Percebi algo importante.
Se existe um legado que construí, ele não está nos livros.
Está na mesa posta aos sábados.
Há mais de uma década, sem planejamento estratégico, comecei a enviar uma mensagem simples:
“Gentesss… hoje é dia da família. Quem vem?”
Nunca foi sobre o cardápio.
Nunca foi sobre abundância material.
Foi sobre não nos perdermos.
Houve tempos difíceis.
Houve dias sombrios.
Houve períodos em que eu mesmo me perguntava quem eu era depois de tudo.
Mas os sábados continuaram.
E elas continuaram vindo.
Hoje, aos 60, percebo que talvez o maior ato de coragem da minha vida não tenha sido escrever livros, nem enfrentar batalhas externas.
Foi permanecer.
Permanecer pai.
Permanecer disponível.
Permanecer casa.
Hoje também vi meu primeiro livro em língua inglesa disponível na Amazon.
Confesso que houve um sorriso interno.
Não de vaidade.
De coerência.
Eu sempre quis escrever, mas não sabia como começaria.
Nem sobre o quê.
Comecei.
E o caminho foi se revelando enquanto eu caminhava.
Aos 60, não sinto que algo foi preenchido.
Sinto que há mais espaço.
Espaço para estar.
Espaço para ouvir.
Espaço para aceitar que o futuro não me pertence.
Dois netos estão a caminho.
A vida continua seu curso.
Se pudesse desejar algo para a próxima década, não pediria conquistas extraordinárias.
Pediria dias comuns.
Dias como hoje.
Com o som da água.
Com o verde ao redor.
Com o coração tranquilo.
Não quero dominar o que vem.
Quero estar presente onde quer que eu esteja.
Se aprendi algo nesses anos, foi isso:
A vida não precisa ser controlada.
Precisa ser habitada.
E hoje, aos 60, eu a habito com gratidão.

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