Hoje acordei às 4:24 da manhã.
A Amazônia ainda dormia.
O mundo em silêncio.
O sonho tinha acabado.
Levantei sem peso.
Vim ao escritório.
Sentei diante do notebook com uma sensação curiosa: isso vai terminar bem.
Não sabia exatamente o quê.
Mas sabia que havia algo se organizando por dentro.
Passei parte da madrugada refletindo sobre consciência, evolução, gerações, maturidade.
Comecei com uma dúvida silenciosa: será que essa inquietação é coisa de quem está perto dos 60?
Terminei com outra percepção:
Não é inquietação.
É integração.
Na juventude buscamos conquista.
Na maturidade buscamos estabilidade.
Na plenitude buscamos entendimento.
E o entendimento não elimina o mistério.
Ele muda nossa relação com ele.
Não sei de onde veio a consciência.
Não sei para onde a humanidade caminha.
Não sei qual será o próximo salto evolutivo.
Mas sei algo simples: Estou em paz com minha existência.
Realizei sonhos.
Amei.
Construí.
Cai e levantei.
Escrevi.
Aprendi.
Se partisse hoje, não haveria pendências essenciais.
E, paradoxalmente, é essa paz que traz leveza.
A maturidade não nos dá todas as respostas.
Ela nos dá outra coisa: Proporção.
Já não precisamos vencer o mundo.
Já não precisamos provar nada.
Já não precisamos resolver o universo.
Podemos apenas habitá-lo com consciência.
Talvez a verdadeira evolução não esteja nos próximos séculos.
Talvez esteja na forma como acordamos às 4:24 da manhã
e escolhemos conversar com o próprio mistério
sem medo.
Hoje estou mais leve.
Não porque sei mais.
Mas porque aceito não saber tudo.
E ainda assim continuo buscando entendimento.
Isso basta.
Talvez eu nunca descubra por que existimos.
Mas posso viver de modo que minha existência faça sentido.
E essa escolha é diária.

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