Não existe receita de bolo para viver bem.
A realidade é dinâmica, mutável, imprevisível.
Aceitar isso tem sido, para mim, uma forma inesperada de segurança.
Quando compreendo que pouco posso fazer para controlar o futuro, deixo de lutar contra o impossível.
Na relação entre expectativa e realidade, a previsibilidade simplesmente não existe.
Veja um exemplo comum: alguém se empenha intensamente para conquistar uma posição mais elevada.
É natural esperar que, ao alcançar esse novo patamar, a vida se torne melhor — mais leve, mais feliz, mais plena.
Mas, na prática, isso raramente acontece.
Ou, se acontece, nunca da forma como foi idealizada antes da conquista.
Nos últimos dias, tenho refletido sobre a consciência.
Sobre como nossa percepção da realidade muda o tempo todo.
Talvez seja justamente por isso que a realização de metas e sonhos quase nunca corresponda às expectativas que projetamos.
Isso me faz lembrar uma frase atribuída a Buda: ninguém consegue beber água do mesmo rio duas vezes.
A realidade já não é a mesma.
E quem retorna ao rio tampouco é.
Diante disso, uma pergunta insiste em surgir: será que o dinamismo da realidade é resultado das milhares de consciências que a cocriam, simultaneamente, a todo instante?
Existe, de fato, livre-arbítrio?
Ou apenas margens estreitas de escolha dentro de um fluxo maior?
Haveria algum nível da realidade onde a frustração não habita?
É possível alcançar um estado de consciência capaz de perceber, com antecedência, as inconsistências dos próprios planos futuros?
Ou a vida é simplesmente como é — e nada pode ser feito além de vivê-la?
Sempre que penso nisso, novas perguntas surgem.
Mas sou um buscador.
E buscar talvez seja o que faço de mais verdadeiro.
Procuro respostas com a lucidez de quem sabe: talvez elas não existam da forma como espero.
Ainda assim, algo em mim intui que tudo só faz sentido se houver um nível em que tudo cessa.
Onde o que existe é apenas a luz e o silêncio.
Onde eles reinam, de algum modo, pela eternidade — embora eu não saiba exatamente o que eternidade significa.
Mas sei disso: amo a luz. E amo o silêncio.
Reflexão: “Quando aceito o imprevisível, a vida deixa de ser controle e se torna presença.”

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