Na leitura inicial de Itzhak Bentov, deparei-me com uma constatação que ecoa fundo em mim: quanto mais sabemos, maior se torna nossa ignorância.
Como buscador, raramente penso diferente.
À medida que a consciência se amplia, cresce também a percepção do quanto ainda desconheço.
O não saber deixa de ser falta — passa a ser companhia.
Sou, no essencial, um aprendiz de consciência.
Com o tempo, algo se tornou claro na forma como percebo a realidade: precisamos nos abster não apenas de palavras nocivas, mas até de pensamentos maus.
Porque o que chamamos de “realidade” possui pouco de fixo.
Tudo está em mutação constante.
Como sugere Bentov, a realidade não é neutra.
Ela é influenciada por estados mentais, emocionais e intencionais.
Se prestássemos atenção, por apenas um dia, aos pensamentos que cultivamos e às palavras que proferimos, talvez nos espantássemos ao perceber o quanto sabota-nos a nós mesmos.
Nem sempre o problema está na intenção.
Muitas vezes ela é boa.
Mas, se as emoções não caminham na mesma direção, passam a conspirar contra.
Da mesma forma, a mente pode estar pronta para criar algo construtivo,
mas se o coração — no campo das emoções — resiste, o movimento não se completa.
Não é que tudo dependa da mente.
Mas é inegável que ela é o principal canal de comunicação, interna e externa.
É por meio dela que escolhemos, interpretamos e direcionamos a vida.
Curiosamente, muitas das iniciativas que transformaram meu caminho não nasceram de certezas racionais, mas de intenções profundas, quase silenciosas.
Às vezes me pergunto: estou caminhando para algum lugar onde possa, de fato, descobrir uma versão mais verdadeira de mim mesmo?
Se há algo que hoje sei, é isto: preciso ir para dentro, cada vez mais.
Buscar a individuação, como diria Carl Jung, sem perder a abertura para compreender o mundo ao redor.
Mas com uma lucidez essencial: posso fazer muito por mim, quase nada pelo outro.
A mudança verdadeira é sempre um gesto íntimo.
E a consciência, quando amadurece, aprende a respeitar esse limite.
Reflexão: Quanto mais consciente me torno, menos certezas carrego —e mais presente eu vivo.”

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