Já houve manhãs em que corpo e mente pareciam estacionados?
Como se algo em você tivesse desligado o motor da ação?

Os eventos do cotidiano seguem seu curso, mas tudo soa monótono.
Há uma indisposição silenciosa diante até das tarefas mais elementares.
A primeira explicação que surge costuma ser simples: preguiça, cansaço, falta de vontade.

Mas isso é raso.

Existe algo mais profundo por trás desse peso —
uma espécie de inércia existencial.

Foi Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido, quem primeiro me fez compreender isso com clareza.
Há momentos em que tudo parece um fardo a ser carregado.
A força para agir simplesmente não está lá.

Nessas horas, não falta energia física.
Falta sentido.

Quando não atribuímos sentido consciente ao que fazemos,
a vida se reduz a um automatismo.
Existir passa a ser apenas sobreviver.

E quem apenas sobrevive costuma sentir a vida como um peso contínuo.

É impossível não lembrar de Sísifo:
condenado a empurrar eternamente uma pedra montanha acima,
apenas para vê-la rolar de volta antes do cume.
Um castigo pela astúcia — por ter desafiado a morte e enganado os deuses.

Na jornada do autoconhecimento, especialmente no processo de individuação,
algo semelhante acontece.
Somos “punidos” justamente quando percebemos que vivemos pelo sentido —
todo o resto é mera sobrevivência.

Essa consciência não nos alivia.
Ela nos responsabiliza.

Como sempre ocorre neste espaço, essa reflexão teve um gatilho.
Foi ao olhar para a capa do livro Stalking the Wild Pendulum, de Itzhak Bentov.

Bentov sugere que a consciência não apenas percebe a realidade —
ela a coconstrói.

Se isso é verdade, compreender seus mecanismos
deixa de ser curiosidade intelectual.
Passa a ser necessidade existencial.

Talvez tudo comece a fazer mais sentido
quando entendermos melhor como a consciência opera.
Porque só quando fazemos o que tem sentido para a alma
é que nos sentimos inteiros.

E só assim a força inercial deixa de nos paralisar —
e passa a nos impulsionar.

Refletir

“Onde não há sentido, o corpo para.”

“Não é preguiça.
É a alma pedindo sentido.”

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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