Estive pensando em algo que, por vezes, incorro na tentativa de encontrar a melhor maneira de encarar determinadas realidades.
A ideia de que ignorar um problema não o fará desaparecer atravessa o pensamento de Jung e permanece atual. Em outra formulação igualmente precisa, ele afirma: “Aquilo a que você resiste, persiste.”
Essas frases tocam diretamente em algo comum à experiência humana: a procrastinação.
Atire a primeira pedra quem nunca “levou com a barriga”. Quem nunca deixou para amanhã. Quem nunca adiou uma conversa, uma decisão, um movimento necessário — como se o tempo, por si só, resolvesse aquilo que evitamos encarar.
O problema não está no adiamento pontual.
Ele começa quando o adiar se transforma em hábito.
O que aprendi sobre empurrar a vida para depois é simples e, ao mesmo tempo, desconfortável: quando a procrastinação se torna um padrão, a vida tende ao caos. E, não raro, esse caos é atribuído a uma sequência de “má sorte”, quando na verdade é consequência de conflitos não enfrentados.
Mas o que diria Freud sobre procrastinar?
Provavelmente partiria do princípio do prazer: a tendência psíquica de buscar satisfação imediata e evitar o desprazer. Procrastinar, sob esse olhar, é uma estratégia inconsciente de autoproteção. Adiamos aquilo que exige esforço, responsabilidade, confronto interno ou mudança.
Isso não é um defeito moral.
É da natureza humana.
A questão, portanto, não é porque procrastinamos, mas o que fazemos com essa tendência.
Ignorar, resistir ou fugir apenas fortalece o conflito. Aquilo que não é integrado retorna — como ansiedade, repetição, sintomas ou sensação difusa de desordem interior.
Talvez o antídoto não esteja na força de vontade, mas na presença.
Viver um momento de cada vez.
Não o amanhã imaginado.
Não o passado que pesa.
Mas o agora possível.
É somente no aqui e agora que a vida acontece.
E é apenas nele que algo pode, de fato, ser transformado.
Inside
Vá para dentro de si e seja livre.

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