O que é realmente importante para você?
Você já pensou sobre como seria viver consciente?
Quando penso sobre a existência — sobre o que significa, de fato, estar vivo — muitas perguntas surgem.
As respostas, curiosamente, não aparecem no esforço.
Elas chegam no silêncio.
E na presença.
Sempre fui um sonhador.
Mas ninguém consegue negar a si mesmo por uma vida inteira.
Quando nos aproximamos de seis décadas de existência, se houver sensibilidade, algo se revela com clareza:
o sentido da vida já não está nas promessas,
mas nas constatações.
Diz-se que atravessamos fases.
É verdade.
E em cada uma delas somos confrontados por verdades incômodas.
No plano biológico, o corpo envelhece.
Perdemos força, vitalidade, rapidez.
Mas não é disso que quero falar hoje.
Quero falar de algo mais perene.
A maturidade da alma.
Quando eu estava na plenitude da minha vida profissional, ocupava um cargo de destaque na minha comunidade.
Havia um senhor — devia ter cerca de 75 anos — que exercia uma função no mesmo nível hierárquico que a minha.
Ele vinha até minha sala.
Sentava-se em silêncio.
Como quem aguardava algo.
Eu, prontamente, me colocava à disposição para atendê-lo.
Ele sorria e dizia: “Não, está tudo bem. Pode continuar seu trabalho. Não se preocupe comigo.”
Hoje entendo.
Ele gostava de observar.
Nos intervalos entre uma atividade e outra, quando ficávamos a sós, falava sobre autoconhecimento e espiritualidade.
Dizia que as constatações feitas ao longo da vida são mais importantes do que os resultados do trabalho que realizamos.
Falava da relatividade de tudo.
Das fases.
Do tempo.
E dizia que, ao final, o que realmente importa é o discernimento.
O entendimento de si mesmo.
Naquela época, eu tinha cerca de 40 anos.
Ainda assim, ele me tratava como um garoto.
E havia um carinho especial quando dizia:
“Elizeu, você precisa sentir a vida, e não viver apenas movido por desejos e vaidades.”
Eu gostava de ouvi-lo.
Havia sempre ali uma lição silenciosa.
Certa vez, talvez apenas para provocar seu jeito tímido, perguntei: — Como é a sexualidade quando envelhecemos?
Ele riu.
E respondeu algo que nunca esqueci: “Não se preocupe com ereções ou com o corpo.
O importante é o que está na sua mente naquele momento.”
Disse que, salvo condições de saúde muito específicas, o homem pode se realizar plenamente nessa dimensão.
Tudo depende da mente.
E concluiu:
o prazer nasce mais da consciência
do que dos sentidos.
Recordar do senhor Heitor nesta manhã não é acaso.
Tem relação direta com este momento da minha vida.
Como ele dizia, viver com presença é viver menos refém das respostas automáticas do corpo e mais alinhado com a consciência.
Hoje, conquistas já não me euforizam.
Reconhecimentos já não me definem.
E, curiosamente, é exatamente assim que ele descrevia essa fase.
Talvez isso seja maturidade.
Talvez isso seja consciência.
Ou talvez seja algo ainda mais simples:
o início de finalmente sentir a vida.
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