No último dia do ano, quase tudo é ruído.
Fogos, promessas, listas, metas, euforias forçadas.
Pouco silêncio. Pouca verdade.

Talvez o maior equívoco humano seja acreditar que o tempo muda algo por si só.
O calendário vira.
A consciência, não — se não houver intenção.

Ao longo da vida, percebi que a maior busca que empreendi não foi por sucesso, bens ou reconhecimento.
Foi por entendimento.
Entender quem sou.
Entender o que somos.

O autoconhecimento muda tudo.
Quando ele acontece, muitas crenças herdadas se dissolvem.
Viver deixa de ser sobrevivência.
Passa a ser presença.

Hoje, o estado que mais me faz inteiro não é a excitação, nem a conquista.
É a paz.

Paz não é fuga das responsabilidades.
Sou pai. Sou marido. Trabalho. Produzo.
Mas escolho não viver submerso no turbilhão de distrações que ocupam a maioria das pessoas.

Crenças automáticas.
Idolatrias.
Torcida por ideias, artistas, times, narrativas.

Quanto mais observo, mais percebo: vivemos uma civilização profundamente entretida — e pouco consciente.

Talvez por isso eu prefira desacelerar.
Pensar.
Questionar.
Imaginar como era existir quando a vida se resumia ao essencial:
abrigo, alimento, proteção, presença.

Antes do excesso.
Antes da simulação.
Antes da necessidade constante de distração.

Não me reconheço em paixões coletivas.
Nunca entendi brigas por bandeiras que não nos pertencem.
Ideologias, religiões, vaidades — todas exigem devoção cega e suspendem o senso crítico.

No fundo, penso que não se trata de maldade.
Trata-se de inconsciência.

O ser humano se perde quando deixa de olhar para dentro e passa a viver pelo reflexo do outro.

Neste fim de ano, não penso em desejos grandiosos.
Penso em algo mais simples — e mais raro:
consciência suficiente para viver em paz comigo mesmo.

Se cada um se perguntasse honestamente
por que sinto o que sinto?
por que ajo como ajo?
talvez menos leis fossem necessárias.
Talvez menos guerras existissem.
Talvez menos vidas fossem desperdiçadas em conflitos vazios.

O mundo ainda está longe da paz.
Mas a consciência sempre começa em um indivíduo.

O ano termina hoje.
Que o barulho termine junto.

Que reste o silêncio necessário para que algo verdadeiro possa, enfim, nascer.

Que o ano termine no silêncio do entendimento
e o próximo comece na coragem de viver com consciência.

Inside — vá para dentro e seja livre.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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