Às vezes penso que esse turbilhão de perguntas — qual é o sentido da vida? por que existo? para onde tudo isso aponta? — acontece só comigo. Mas, quando paro e observo com calma, percebo que talvez seja uma inquietação comum a qualquer ser humano que ousa pensar sobre si.

Passei por muitas teorias. Rejeitei cedo as respostas prontas das religiões, não por rebeldia, mas porque deixaram de dialogar com aquilo que minha alma buscava. Cresci no cristianismo, segui suas promessas, vivi entre céu, inferno e a sensação de dever moral. Aquilo foi um norte — até deixar de ser.

Hoje, admito: não busco o divino pelas vias tradicionais. Sinto-me muito mais próximo do Deus de Spinoza — um Deus que não julga, não pune, não exige crença, mas simplesmente é. Um Deus que se revela na ordem da natureza, na harmonia de existir, no fato simples e extraordinário de reconhecer que sou parte do todo e não um ser separado, implorando por sentido.

Talvez eu seja um teísta — do meu próprio jeito.
Sem céu. Sem inferno.
Sem prêmios ou castigos.
Apenas existência.

E então, em dias como hoje, quando nada me exige além das tarefas domésticas e da presença tranquila, percebo algo raro: estou com os dois pés na minha realidade, sem desejar que nada fosse diferente. Não preciso controlar ninguém. Não preciso prever resultados. Apenas sou.

Mas existe um ritual que me acompanha. Não sei se é uma oração, um mantra ou apenas uma conversa silenciosa com algo maior. Eu simplesmente faço.

Penso: paz, justiça, amor.
Repito isso enquanto ninando o pequeno Jr.
Repito debaixo do chuveiro depois de uma corrida.
Repito na beira do sono, antes de me entregar à noite.

E funciona.
Adormeço com o coração limpo.

Talvez por isso eu me permita dizer que sou um teísta que acredita no perdão antes de dormir. Sussurro para mim mesmo:

“O dia termina agora.
Não posso mudar o que fiz.
Perdoo minhas falhas.
Nada de culpa ficará na alma.”

Respiro fundo. E durmo.
A cada amanhecer, gosto de pensar que a vida se abre novamente em infinitas possibilidades.

Enquanto escrevo este texto, o pequeno Jr — meu bebê T21 — está em pé sobre a mesa de pedra fria, sorrindo e produzindo aqueles sons gostosos que só ele entende. Bate os pezinhos com força. Deise, sentada na poltrona do Freud, comenta cada arte do menino.

E eu paro, observo por alguns segundos…
e penso: não mudaria nada.

Este instante é perfeito.
Não preciso estar em outro lugar.
Não preciso ter mais.
Não preciso ser reconhecido como nada além de um humano buscando compreender a própria condição.

Quando sinto isso, percebo que não faz sentido esperar por julgamento, salvação ou medalhas espirituais. O que busco já está aqui: paz, amor e justiça — não como prêmio, mas como estado de alma.

Sobre o sentido da vida, chego a uma conclusão simples e profunda:

O sentido não é um objetivo — é uma percepção.
É perceber a si mesmo.
É perceber o universo ao redor.
É sentir o instante como a única coisa real.

O passado não posso alterar.
O futuro é apenas especulação.
O que existe de fato é agora.

E eu escolho estar aqui: presente, consciente, inteiro.

Não busco ser visto como X ou Y.
Busco apenas ser — um ser humano tentando entender sua existência, não para encontrar uma resposta final, mas para viver cada dia com sentido.

E talvez…
talvez isso já seja a resposta.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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