Ontem à noite, enquanto caminhava devagar com a Deise e o pequeno Jr — numa trotada leve de regeneração depois dos 5 km da “Corrida Portal da Amazônia” — percebi algo que rondava minha mente há dias.
Venci porque estive presente.
Simples assim.
E, ao mesmo tempo, profundo assim.
No sábado, quando alinhei na largada, minha mente estava tão focada que o mundo desapareceu. Nem notei a lombada escondida na escuridão. Caí feio. Rasguei o joelho. Fui ao chão como há muito tempo não caía.
Mas me levantei antes mesmo de entender a dor.
E continuei.
Aquele tombo, em vez de estragar a corrida, ressaltou minha presença.
Meu corpo caiu, mas minha consciência ficou firme.
Foi um rito de passagem em três segundos.
E ali compreendi: minhas maiores vitórias sempre vieram acompanhadas de um imprevisto — que, no final, se revelou necessário.
Foi assim em 2016.
Perdi trabalho, perdi amigos, perdi o chão.
Fui descartado, esquecido, julgado e abandonado.
Só não perdi a mim mesmo.
Sem dinheiro e sem rumo, encontrei o único caminho possível: ir para dentro. Colocar o ego no banco de trás. Ouvir a alma. Escrita, silêncio, leituras, Jung, noites em claro, autoconhecimento.
Se não tivesse passado por tantas privações, não teria desacelerado o suficiente para me encontrar.
A queda foi o portal.
Hoje, preparando o almoço na edícula, cliquei no YouTube buscando uma música qualquer de fundo. Mas apareceu — sem eu procurar — uma palestra sobre A Matriz Divina, de Gregg Braden.
Deixei tocar.
E algo ali encaixou no que venho vivendo.
Braden afirma que existe um campo que conecta tudo e que nossas emoções, somadas à intenção, moldam a realidade. Não como magia ou superstição, mas como coerência interna.
A frase que mais tocou foi simples:
“O universo responde ao que você sente, não ao que você pede.”
E, naquele instante, entendi minha própria vida com mais clareza.
Nas vitórias, eu estava inteiro.
Nas derrotas, eu estava fragmentado.
Quando mente, corpo e emoção se alinham, a realidade muda de comportamento.
Parece abrir espaço.
Parece cooperar.
Não é controle.
É sintonia.
É o que Jung chamou de sincronicidade: quando o estado interno conversa com o mundo externo e cria eventos que parecem coincidência — mas não são.
O tombo na corrida não me derrubou porque, por dentro, eu estava firme.
Assim como a prisão não me destruiu porque a alma estava pronta para nascer.
A verdade é simples:
Nada do que nos ocorre é por acaso quando estamos despertos.
Hoje entendo:
A realidade não começa fora.
Começa dentro.
Começa no instante em que entramos no presente com totalidade.
E, quando isso acontece — seja na pista, na vida, na dor ou na superação — tudo ao redor se reorganiza.
A Matriz Divina talvez não seja uma teoria científica universal, mas é uma metáfora poderosa daquilo que já vi acontecer no íntimo das pessoas… e em mim mesmo.
O que sentimos cria caminhos.
O que acreditamos abre portas.
O que sustentamos com consciência se torna realização.
O resto é barulho.
Conclusão?
Seja qual for a fase que você está vivendo — queda, reconstrução ou pódio — lembre-se:
A vida responde ao seu estado interno.
A realidade começa dentro.
E, quando você está inteiro, o universo sempre se ajusta.
No fim, não é o mundo que se transforma — é você que muda, e o mundo apenas acompanha.

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