Ontem participei da “2ª Corrida Portal da Amazônia” e vivi algo que me fez pensar profundamente sobre o caminho da individuação — da queda ao pódio.
Não foi glamour.
Foi foco.
Foi superação.
Foi a mente guiando o corpo.
“O corpo cai, a alma levanta.”
Logo após a largada, uns 300 metros depois, numa pista mal iluminada, fui ao chão.
Me esborrachei no asfalto.
Alguns saltaram por cima de mim como se eu fosse apenas mais um obstáculo.
Mas uma voz na penumbra parou.
Uma mão me alcançou:
“Como está?”
“Tudo bem… bora.”
E eu segui.
Não sei quem foi o Samaritano.
Mas sei exatamente o que aquela mão significou.
“Três segundos que poderiam ter sido o fim.”
Hoje, olhando o registro do smartwatch, descobri:
a queda durou apenas três segundos.
Três segundos que poderiam encerrar a prova.
Três segundos que só não venceram porque a mente decidiu continuar.
“Se estou em pé, estou vivo. Continue.”
“Às vezes, a alma diz: vai.”
As luxações só apareceram no final:
mãos, joelho, cotovelo — “ralei um pouquinho”, como diz minha geração X.
Pensei:
“Estou de boa. Esquece isso.”
E continuei.
Não porque o corpo queria,
mas porque a mente estava inteira.
“Quando você volta, leva alguém junto.”
Mais à frente, ultrapassei uma jovem que havia quebrado.
Parecia desistir.
Disse:
“Ei, bora. Eu te levo.”
Ela tentou acompanhar.
Contou que tinha alergia e dificuldade para respirar.
Respondi:
“Respira pela boca. Foca aqui. Tô te puxando.”
Fiz o gesto da corda invisível.
Ela sorriu — e retomou o trote.
Na reta final, soltei a frase que aprendi com a Deise:
“Agora usa toda a força, como se fosse encontrar Jesus!”
“O bem que você recebe sempre volta — mesmo que por outra mão.”
Depois da chegada, enquanto aguardava o troféu, ela apareceu.
Cabelos presos.
Sorriso aberto.
Olhos gratos.
“Se não fosse o senhor, eu teria desistido.”
Naquele instante entendi:
alguém me levantou na queda.
Eu levantei alguém na chegada.
A alma reconhece caminhos que o corpo não vê.
“Prosseguir: a linguagem mais profunda da alma.”
No fundo, percebi que a individuação também corre:
cai, levanta, ajuda, é ajudada.
Segue.
Quando o corpo ameaça parar,
é a alma que sussurra:
prosseguir.
E quando a alma está presente, ela sabe o que fazer.
Ela não corre pelo pódio.
Ela corre pela superação.
Ontem encontrei os dois:
o pódio
e meu recorde pessoal.

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