Hoje me deparei com um verdadeiro tsunami de comentários sobre supostas atitudes jurídicas imorais envolvendo a prisão do ex-presidente. Ideologias à parte, a questão que me interessa não é o caso em si, mas algo maior: o que chamamos de moral — e por que ela é tão facilmente relativizada.

Antes de continuar, deixo claro: não criei nada disso e não estou alinhado a grupo A ou B. Meu ponto é simples: a moral não é universal; é relativa.

Para sustentar essa afirmação, recorro a três pilares que, juntos, iluminam o tema com clareza extraordinária: Nietzsche, a neurociência e uma elegante metáfora inspirada na física quântica.

Nietzsche: a moral como construção sensível

Nietzsche dispensa apresentações. É talvez o filósofo mais cético que já encontrei. Parafraseando-o, “a moral depende da estética”. Em termos cotidianos:

“Quem mata uma barata é celebrado como herói;
quem mata uma borboleta é condenado como perverso.”

Assim funciona a moral comum: um produto das sensibilidades, dos afetos e das crenças que carregamos — não de uma verdade eterna.

A neurociência: moral como arquitetura de crenças

A neurociência confirma essa relatividade ao mostrar que nossos julgamentos morais estão enraizados em mecanismos biológicos:

  • Quando uma crença moral é confirmada, o cérebro libera dopamina → sensação de acerto e harmonia.
  • Quando contrariada, ativa-se a amígdala → medo, culpa ou irritação moral.
  • O córtex cingulado anterior monitora o conflito → nasce a dissonância entre ação e crença.

Ou seja, a moralidade não é uma lei universal escrita na alma, mas um sistema de crenças reforçado por recompensas e punições internas.

A física quântica (como metáfora): crenças como campos que organizam o comportamento

A física quântica não fala de moral, mas nos oferece uma imagem útil:
quando convicções se consolidam em nossa mente, a rede neural cria um campo vibracional interno coerente com elas.

E, como nos sistemas quânticos e caóticos:

pequenas mudanças no campo produzem grandes mudanças no comportamento.

Alterar uma crença — especialmente uma crença moral — pode modificar:

  • emoções,
  • julgamentos,
  • vínculos afetivos,
  • e até a identidade.

Assim, a moral se revela como uma emergência dinâmica, fruto da configuração de crenças que organizam nossa mente.

Jung: a moral vivida, não a moral herdada

Jung acrescenta uma camada decisiva. Para ele, a moral baseada em crenças — a moral herdada da cultura, da igreja, da família — é necessária ao convívio, mas permanece rasamente humana.

A verdadeira moral nasce da individuação, quando o indivíduo:

  • mergulha no autoconhecimento,
  • confronta sua própria sombra,
  • integra os opostos dentro de si.

Essa moral não é crença.
É experiência.
É conquista interior.
É destino psíquico.

E Jung diria, com toda sua lucidez simbólica:

“A moral verdadeira não é aprendida; é descoberta.”

Minha conclusão

Por tudo isso, não consigo aceitar a ideia de uma moral universal. Cheguei a discutir essa questão com a Deise, especialmente sob o viés da doutrina de Kardec, que fala da evolução moral do espírito encarnado. Respeito profundamente, mas não consigo conciliar essa visão com o que observo: a moral muda conforme muda o olhar — e o olhar muda conforme mudam as crenças.

Portanto, me perdoem os crentes de todas as vertentes: não posso concordar com a existência de uma moral absoluta.
A moral é relativa, porque nasce do campo das crenças, não do reino das verdades eternas.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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