Durante a semana que terminou ontem, li um texto que mexeu comigo.
Passei muitas horas refletindo sobre como aquelas palavras poderiam realmente fazer sentido. “Antes de morrer, escute.” E fez. Fez muito sentido para mim.
Esses escritos remontam a cerca de sete mil anos — o início da escrita humana.
Pequenas tabuletas de argila, cobertas de sinais em caracteres cuneiformes, foram encontradas nas ruínas da antiga Suméria, hoje território do Iraque.
Curiosamente, esses registros tratavam de assuntos simples: inventários, impostos, censos, tratados entre cidades.
Nada de místico, nada de religioso — apenas o cotidiano de uma civilização que começava a organizar o mundo pela razão.
Mas a revelação veio da conclusão do pesquisador que decifrou aqueles símbolos.
Ele afirmou algo extraordinário: a escrita não apenas descreve o mundo — ela o cria.
As palavras moldam a realidade.
Desde que o ser humano começou a registrar o que pensa, o que sente e o que deseja, passou também a programar o universo à sua volta.
A escrita inaugurou o poder da mente sobre a matéria.
Então pensei: quantas vezes, ao escrever algo — um desejo, um lamento, uma promessa — não estamos lançando comandos ao próprio destino?
Quantas realidades não nasceram de um simples “sim” ou de um “não” escrito com firmeza?
A palavra é o primeiro ato de criação consciente do ser humano.
Tudo o que existe hoje, em algum momento, foi palavra antes de ser coisa.
Por isso, antes de morrer, escute.
Escute o que ecoa dentro de você quando o mundo silencia.
Escute as palavras não ditas, as frases interrompidas, os gritos que o orgulho calou.
Escute o que seu coração vem tentando dizer há anos —
porque talvez ali esteja o sentido que você passou a vida inteira procurando fora.
A morte, quando vier, não pedirá desculpas.
Mas talvez ela se curve diante de quem soube escutar a própria alma em vida.
E então, quem sabe, o último suspiro não será de medo, mas de compreensão.
De quem finalmente entendeu que viver foi apenas aprender a ouvir —
ouvir o outro, ouvir o tempo,
e sobretudo, ouvir a si mesmo.

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