Ontem tive uma conversa que me deixou inquieto.
Não pela divergência em si, mas pela sensação de que o pensamento crítico anda em extinção.
Falávamos sobre um artigo a respeito da desconstrução social e seu impacto na saúde mental. O autor dizia que, ao tentar normalizar tudo, estamos apagando os contornos da própria condição humana. Chamou isso de “despatologização da existência”.
Essa ideia me fez lembrar de Freud.
Ele dizia que o homem, ao abandonar a fé, cria novas ilusões para preencher o vazio. Talvez a ideologia tenha se tornado a religião do nosso tempo.
Sempre existiram pessoas que se recusam a colaborar com qualquer ordem social. Isso não as torna vítimas, apenas humanas. Mas hoje, há quem enxergue essa recusa como virtude — como se a desordem fosse sinônimo de liberdade.
Defender que todos são iguais soa bonito, mas é uma utopia.
A natureza não conhece igualdade. Conhece diversidade.
E é dela que nasce a evolução.
Numa família de sete pessoas, já há diferenças gritantes: um é líder, outro é sensível, outro se apoia mais nos demais. Mesmo nesse pequeno grupo, a igualdade plena é impossível.
O que é possível — e profundamente humano — é a equidade: reconhecer as diferenças e agir com justiça, não com cegueira ideológica.
Mas, ao dizer isso, ouvi:
“Você é branco, descendente de europeus, logo, opressor nato.”
Foi um choque.
Naquele instante, percebi que as novas crenças são tão rígidas quanto as antigas. Mudam os dogmas, permanecem as correntes.
Freud estava certo: trocamos a religião pela ideologia, a fé pelos slogans, e a reflexão pela culpa coletiva.
O que falta — e sempre faltará — é autoconhecimento.
Sem ele, repetimos os mesmos erros, apenas com palavras novas.
A verdadeira liberdade não nasce da igualdade, mas da consciência.

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