Hoje pela manhã, como faço regularmente, saí para minha corrida matinal. No primeiro quilômetro, reduzi o ritmo e comecei a caminhar.
De repente, minha mente se encheu de pensamentos:
“Por que estou fazendo isso?”
“A coxa está doendo.”
“O sol está forte demais.”
Uma sequência de desculpas prontas, todas em favor da desistência. Foi quando me veio um insight:
“É coisa do diabo”, diriam os crentes daqui.
Sorri. De certo modo, é verdade — mas não da forma que muitos imaginam.
O “diabo” que me tentou a desistir não estava lá fora, e sim dentro de mim.
Analisando sob a luz da psicologia, percebi que culpar forças externas é o hábito das vítimas contumazes — aquelas que sempre transferem a responsabilidade pelo próprio fracasso.
Então, mudei o trajeto. Contornei ruas, busquei sombras, adaptei o caminho.
E segui.
Cumpri minha meta de 5 km — e entendi que venci o meu diabo interior.
Esse diabo é real. Ele aparece quando você se olha no espelho e não gosta do que vê.
Ele se alimenta de suas crenças limitantes, da sua autocrítica, dos seus medos.
Não é o demônio das religiões.
É o inconsciente sabotador, aquele que Freud dizia dominar a casa quando o “eu” não está desperto.
A procrastinação é uma das faces mais sutis desse inimigo interno.
Ela se disfarça de preguiça, distração ou falta de tempo, mas na verdade nasce do medo inconsciente de falhar — ou de mudar.
Quando você adia algo importante, não está apenas deixando para depois: está permitindo que o seu “diabo interno” conduza o volante da sua vida.
Ele sussurra desculpas convincentes, alimenta dúvidas e cria obstáculos invisíveis.
E, quanto mais você o ouve, mais distante fica da sua própria evolução.
Cada atitude consciente, cada pequeno passo em direção ao que te faz bem, é um ato de enfrentamento com esse inimigo invisível.
E, no fim, quando olhar para trás, talvez perceba que o maior obstáculo da sua vida nunca foi o mundo… foi você mesmo.

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