Nesta manhã, enquanto observava meu pequeno Jr — que tem 4 anos e ainda não fala — percebi o quanto ele se comunica bem.
Entende tudo: levantar, deitar, comer, tomar banho, sentar…
Mas o que mais me encanta é como ele percebe o tom da minha voz.
Ele sabe quando estou brincando ou falando sério.
E, com sua doçura, faz algo para me arrancar risadas — bate palmas, festeja e estende as mãozinhas para o “soquinho” de cumplicidade.
É fascinante.
Sua forma de se desenvolver, marcada pela síndrome de Down, me transforma todos os dias.
Ele me ensina a ver o mundo pelos olhos do outro, com mais empatia, paciência e amor.
Penso que a mente humana é mesmo extraordinária.
Há nela mecanismos que vão além dos cinco sentidos.
Algo que nos permite compreender e responder uns aos outros com uma precisão quase mágica — comunicar-nos sem dizer uma só palavra.
Foi então que me veio o pensamento: “Isso é a Teoria da Mente.”
A habilidade que nos torna humanos.
A mente humana guarda um dom silencioso: imaginar o que o outro sente e pensa.
Chamamos isso de Teoria da Mente — a capacidade de reconhecer que o outro é um universo inteiro, com crenças, medos e desejos próprios.
Sem ela, não haveria arte, nem linguagem, nem amor.
Não riríamos juntos.
Não compreenderíamos a dor do outro.
A cultura nasceu, talvez, do simples gesto de imaginar o que se passa no coração alheio.
Mas há algo que a ciência não explica.
Porque, mesmo compreendendo a mente, há encontros que nos desarmam.
Olhares que atravessam qualquer teoria.
E é então que percebemos: pensar sobre o outro não é o mesmo que sentir o outro.
A compreensão é racional.
A conexão é alma.
Talvez seja isso que Jung chamaria de encontro simbólico —
quando o eu reconhece no outro uma parte de si mesmo.
É o instante em que a empatia deixa de ser conceito
e se torna presença viva.
Nenhuma teoria substitui o que só o sentir real faz existir.
E, para mim, me relacionar com esse ser extraordinário justamente na maturidade, no período em que busco o autoconhecimento, é uma dádiva do universo.
Conviver diariamente com o Jr me faz sentir muito mais humano.

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