Já escrevi aqui que boa parte do sofrimento humano nasce da ideia de controle — essa crença silenciosa de que podemos dominar o curso da vida e moldar o futuro à nossa vontade.
Veja por si mesmo:
Quantas vezes investimos energia, tempo e esperança em algo que acreditamos poder conduzir exatamente como imaginamos?
Mas o controle nunca está inteiramente em nossas mãos.
Ele não pertence à cabeça, mas ao fluxo invisível da existência.
A vida é uma combinação de fatores que se entrelaçam de modos que não podemos nomear.
São convergências sutis — encontros, tempos, imprevistos — que fazem a natureza seguir seu curso, independentemente dos nossos desejos.
Quando percebo que estou forçando o caminho, paro.
Respiro e me pergunto:
“Será que isso não é apenas fruto da minha vaga ideia de controle?”
É comum querermos que tudo saia conforme o planejado.
Mas se observarmos atentamente, veremos que a vida raramente obedece à mente — e ainda bem.
Porque é justamente nos desvios que encontramos o propósito que o ego não enxerga.
Desde que aprendi a escutar minha alma, percebi que o controle é uma ilusão vã.
Hoje, aceito as correções de rota sem resistência.
Não me frustro como antes; apenas sigo.
Talvez nunca saibamos por que as coisas são como são.
Mas talvez o sentido da existência não esteja em entender — e sim em experienciar.
A alma evolui pela vivência, não pelas expectativas.
Penso que é bom assim.
Se o mundo obedecesse apenas aos desejos do ego, viveríamos como eternas crianças — chorando diante do desprazer e festejando o prazer imediato.
A vida, porém, é mais sábia:
Ela nos ensina a soltar as rédeas e confiar no ritmo do mistério.

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