Ontem li um texto que me chamou a atenção, porque navegava por áreas do conhecimento que me fascinam — a filosofia e a psicologia, com um toque poético.
Embora não me recorde do texto original, esta é a minha versão, baseada no que compreendi e senti ao lê-lo.
Existem três grandes vazios na alma.
Três fomes.
Três buracos que não se calam.
Eles nos acompanham pela vida,
disfarçados de vontade, prazer e busca.
Mas, no fundo,
são apenas ecos de algo que a alma perdeu no caminho.
1. O Vazio da Infância
É a ferida mais antiga.
Nasce do olhar ausente de quem deveria ter nos amado.
Por isso, o adulto vive tentando provar que é suficiente.
Quer ser visto, ouvido, aceito.
Vicia-se em aprovação.
Confunde pertencimento com amor.
E passa a vida mendigando afeto
em corpos que não o conhecem
nem fazem questão de conhecê-lo.
O vazio da infância é a saudade de um colo que nunca veio.
2. O Vazio da Carne
É a fome que se disfarça de prazer.
Às vezes é física.
Às vezes emocional.
Mas sempre pede mais.
Quanto mais se tem, mais se quer.
É o corpo tentando calar a alma.
O prazer vira anestesia.
E o toque, um abrigo temporário para a solidão.
3. O Vazio do Sentido
É o mais profundo de todos.
Surge quando a vida perde o porquê.
Quando já se conquistou tudo —
e, ainda assim, falta algo.
É o grito da alma pedindo sentido.
Nada preenche esse vazio,
exceto a própria verdade interior.
Porque o sentido não se encontra fora —
ele se revela dentro.
Enfim…
Três vazios.
Três chamados.
E todos pedem a mesma coisa:
retornar a si.
Pensando com Jung
Carl Jung dizia que “a alma sofre quando se ignora seu chamado”,
e que os sintomas, o tédio e o vazio não são inimigos,
mas mensagens que o inconsciente envia quando o ego se afasta do Self.
Para Jung, o vazio não é ausência — é anúncio.
É a forma pela qual a alma tenta despertar a consciência.
Por isso, cada vazio carrega em si uma oportunidade: de se reconciliar com a criança ferida, de transformar o desejo em comunhão, e de reencontrar o sentido que habita no centro do ser.
No fundo, o vazio é apenas o espaço que a alma cria para que Deus, o Self, ou a Verdade — possam finalmente habitar.

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