Ouvindo pessoas de diferentes idades, percebi algo em comum: poucas sabem dizer, com segurança, o que realmente querem da vida.
O que se escuta, na maioria das vezes, são ecos de convenções — ideias sobre sucesso herdadas da sociedade ou dos pais — e não uma convicção íntima sobre a própria busca.
Nesta madrugada, depois de ser acordado pelo pequeno Jr., não consegui voltar a dormir. Antes que a enxurrada de pensamentos me invadisse e me tornasse refém da ansiedade, levantei-me e comecei a escrever sobre o que veio à mente.
Pensei no inconformismo que frequentemente nos visita.
Talvez ele nasça dessa incerteza permanente sobre o que queremos.
Agimos, na maior parte do tempo, não por um propósito claro, mas empurrados pelas circunstâncias — como folhas arrastadas pelo vento.
É como se a vida nos movesse mais do que nós a ela.
Alguém pode discordar, mas experimente analisar suas escolhas passadas.
Verá que boa parte dos caminhos que o trouxeram até aqui não estava em nenhum plano prévio.
Foram respostas aos eventos que se apresentaram, e não execuções de um roteiro cuidadosamente traçado.
E talvez viver seja exatamente isso: um fluxo em que reagimos, mais do que controlamos.
Como na canção de Lulu Santos, “ninguém quer ser vítima das circunstâncias”, mas é o que mais acontece.
Somos, muitas vezes, molas encolhidas, tensionadas por um destino que não escolhemos, tentando nos expandir dentro dos limites do possível.
Afinal, “não pedimos para nascer, e não nascemos para perder”.
Por fim, chego a pensar que essa sensação de inconformismo nasce da própria condição humana.
Viemos ao mundo sem pedir, e por isso jamais teremos certeza plena da razão de estarmos aqui.
Entre o acaso e o mistério, buscamos significados.
E é nessa busca — talvez eterna e inacabada — que a alma encontra o sentido da sua própria existência.

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