Hoje acordei às 5:00h da manhã para uma corrida de rua.
O percurso tinha ruas íngremes, desafiadoras, nada parecido com o terreno plano da minha cidade. Foi exaustivo.
No meio da prova, um insight me atravessou:
“Se eu fizer melhor tempo hoje, não é para me vangloriar, mas para medir meu compromisso com a minha melhor versão.”
Não corria contra os outros. Corria contra mim mesmo.
E ao final, percebi que tinha me superado em relação à corrida anterior.
Isso trouxe uma satisfação incrível.
Naquele instante, lembrei do meu pai.
Ele foi um grande homem, nos criou, nos protegeu, nos deu tudo o que precisávamos.
Mas, ao partir, deixou um bilhete de despedida pedindo perdão por não deixar herança material.
Nós, filhos, nunca esperamos isso dele.
A maior herança já estava em sua presença, no que ele foi.
Então me pergunto: será que “Vincit qui patitur” — quem suporta vence — ainda faz sentido?
Talvez não baste apenas suportar.
Meu pai suportou, resistiu, perseverou.
Mas não olhou para si mesmo, não reconheceu o valor da própria vida além do papel de provedor.
Percebo hoje que vencer não é apenas aguentar a dor.
É transformar o sofrimento em consciência.
É assumir que a vitória não está fora, mas dentro.
Não corro para vencer o outro.
Corro para ser fiel ao compromisso de me tornar a minha melhor versão.


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