Talvez este tenha sido o livro que mais demorei para ler. Como diz o ditado, “os melhores perfumes vêm nos menores frascos”. Sua Sombra, de Robin Robertson, é uma obra breve, mas profundamente transformadora — e totalmente sintonizada com o propósito deste blog: o autoconhecimento.
Trago essa reflexão porque, depois de sete anos escrevendo aqui sobre minha jornada de individuação, percebo que no início eu não fazia ideia da profundidade que habitamos — especialmente no território interno. Sempre soube que meu propósito era “ir para dentro” e ser livre (inside), mas não imaginava o quanto podemos ser complexos e, ao mesmo tempo, tão ricos em possibilidades.
Integrar a sombra é atravessar uma porta estreita. E ninguém está imune a isso. Mais cedo ou mais tarde, a vida nos coloca diante de um confronto inevitável com aquilo que evitamos ver — nossas fraquezas, medos, desejos e contradições.
Jung descreveu esse processo como descer ao fundo de um poço e entrar no “mundo da água” — um lugar instável, onde a vida parece suspensa e nada está totalmente definido. É um mergulho profundo, sem chão fixo, mas é também ali que começa a verdadeira transformação.
Ao nos aproximarmos da sombra, percebemos que muito do que criticamos, rejeitamos ou até admiramos exageradamente nos outros fala mais de nós do que deles. Descobrimos que o “outro” é um espelho, e que a experiência dele reflete a nossa própria experiência.
Essa integração não acontece apenas na mente — o corpo também participa. Ele sente, reage e se adapta. Há mudanças nos valores, nas prioridades e na forma de perceber o mundo. O que antes parecia essencial pode perder o brilho; e o que antes rejeitávamos pode revelar uma força antes escondida.
A travessia pela sombra não nos torna perfeitos, mas inteiros. E ser inteiro é aceitar que carregamos luz e escuridão — e que ambas nos pertencem.
Reflexão final:
Quais aspectos de si mesmo você tem evitado olhar, mas que talvez guardem o maior potencial para o seu crescimento?

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