Hoje despertei com lembranças da infância.
Não sei ao certo por quê.
Embora saiba — como diria Freud — que quando olhamos para o passado, memórias vêm à tona. Às vezes motivadas por algo que vimos, ouvimos ou sentimos nos últimos três dias.
Mas o que mais me intriga não é o motivo aparente.
É o que vem de mais fundo.
É quando o inconsciente nos toca de leve e parece sussurrar: preste atenção.
Talvez esteja nos alertando. Ou nos preparando.
Se você já passou dos cinquenta, provavelmente já percebeu que olhar só para o futuro não é o caminho mais saudável.
É preciso estar presente.
É aqui, no agora, que a vida acontece de verdade.
Ainda assim, existe uma exceção a essa regra — especialmente quando falamos de relações humanas.
Ninguém passa pela nossa vida impunemente.
Alguns nos ferem. Outros nos curam.
Mas todos deixam marcas.
E há marcas que não doem.
São aquelas que nos lembram que, um dia, tivemos alguém ao nosso lado.
Foi com essa sensação que a frase me voltou à mente:
“Mais importante do que a própria guerra, é quem está ao nosso lado nas trincheiras.”
Não sei se foi mesmo Hemingway quem disse.
Talvez tenha sido apenas alguém que viveu o suficiente para entender o peso da existência.
A verdade é que a vida, muitas vezes, parece um campo de batalha.
Não falo das guerras grandiosas — mas das pequenas lutas silenciosas:
A busca por aceitação.
O cansaço de ser forte.
Os dias em que até respirar parece esforço demais.
E nesses momentos, o mais importante não é vencer.
É ter alguém ali.
Presente.
Silencioso, talvez.
Mas inteiro.
Quem está com você quando tudo desaba?
Quem não se afasta quando você não está bem?
Quem segura sua mão sem tentar consertar nada — apenas permanece?
As guerras mudam.
Os cenários mudam.
Mas a presença verdadeira…
Essa é rara.
E vale mais do que qualquer vitória.
Talvez a grande sabedoria seja essa:
Aprender a escolher bem com quem dividimos nossas trincheiras.
E, mais ainda, ter a coragem de ser esse abrigo para alguém.
E você? Quem está nas suas trincheiras hoje — e de quem você escolhe ser abrigo?

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