Todos erramos.
Mas nem todos os erros são iguais.
Alguns passam como poeira ao vento.
Outros se instalam fundo, silenciosos — e seguem moldando nossos pensamentos, escolhas e emoções por toda a vida.
Hoje quero falar sobre quatro grandes erros.
Não para te apontar o dedo.
Mas para te oferecer um espelho.
Esses erros não são aleatórios — eles se encadeiam.
Formam, juntos, o enredo inconsciente de muitas almas que vivem no automático,
e seguem feridas sem saber por quê.
Erro 1 – Acreditar que nossos pais eram perfeitos.
É onde tudo começa.
Na infância, a figura de autoridade é lei.
O que o pai ou a mãe dizem torna-se verdade.
É assim que nasce o superego, como diria Freud.
Mas essa crença nos aprisiona: crescemos tentando agradar uma imagem idealizada
e carregamos culpas por sermos diferentes dela.
Se o pai foi protetor demais, nos tornamos frágeis.
Se foi duro demais, viramos casca.
E o pior é acreditar que tudo isso foi amor, sem questionar o que nos faltou.
Erro 2 – Idealizar demais o outro.
Saímos do seio familiar carregando a fantasia de que ainda existe alguém que irá nos completar.
Projetamos no outro o que queremos enxergar:
o salvador, a alma gêmea, o espelho.
Esperamos que ele nos cure.
Mas o outro não veio para ser muleta das nossas carências.
Ele é falho — como você.
E quanto mais você o idealiza,
mais se perde de si mesmo.
Erro 3 – Superestimar a própria força.
Quando o outro decepciona, nasce a armadura.
Então, você resolve dar conta de tudo.
Se fecha, se impõe, se sobrecarrega.
Cria uma imagem de si que nunca falha —mas por dentro, sangra em silêncio.
É um orgulho defensivo, alimentado pela dor não reconhecida.
Quem superestima a própria força, muitas vezes só está tentando sobreviver.
Mas ninguém floresce isolado.
Reconhecer limites é um ato de coragem — não de fraqueza.
Erro 4 – Ser rígido com suas próprias verdades.
Por fim, ao longo da vida, vamos colecionando certezas.
Transformamos feridas em doutrinas.
Traumas em verdades absolutas.
E nos tornamos inflexíveis.
Repetimos padrões, sustentamos crenças caducas,
e resistimos à mudança mesmo quando a alma grita por ar.
Ser rígido demais é não permitir que a vida nos renove.
É querer manter o mesmo eu diante de um mundo que se move.
Mas o autoconhecimento exige movimento.
Exige rever, ressignificar, recomeçar.
Esses quatro erros não estão soltos.
Eles são partes de um ciclo psíquico: crença cega, idealização, retração orgulhosa e cristalização do ego.
Romper com esse ciclo é a verdadeira libertação.
E o primeiro passo é olhar com compaixão para cada parte dele.
E você?
Em qual desses erros sua alma ainda tropeça?
Será que não está na hora de abrir mão de algumas certezas —
para, enfim, encontrar a si mesmo?

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