Hoje me deparei com uma daquelas frases provocativas num quadro de giz:
“A única coisa que o tempo cura… é o presunto.”
Sorri com o humor ácido — mas confesso que aquilo ficou ecoando em mim.
Concordo parcialmente. Depois de mais de 50 anos bem vividos, aprendi a respeitar o tempo. Mas também aprendi algo fundamental: não é o tempo que cura — é o que fazemos com ele.
Esperar que o tempo resolva tudo, como se fosse uma entidade mágica, é ilusão. Se não houver consciência, presença e atitude, o tempo apenas escorre. E o que era dor vira ferida crônica. O que era oportunidade vira saudade. O tempo, sozinho, não cura nada — apenas transforma o que não foi enfrentado em ausência ou arrependimento.
Por outro lado, dar tempo ao tempo pode ser sabedoria.
Principalmente quando se trata das emoções do outro. Às vezes, é necessário esperar que a poeira assente, que a raiva se dissolva, que a pessoa amadureça e enxergue com clareza. O silêncio do tempo, nesses casos, é um aliado.
Mas cuidado: esperar só faz sentido se for uma escolha consciente — e não uma fuga.
A vida exige presença. Ação. Escolhas.
O tempo pode ser um terreno fértil, mas você é quem planta.
Quem vive procrastinando, esperando que o tempo traga respostas ou curas, acaba descobrindo tarde demais que estava apenas perdendo tempo.
A vida é simples — mas não é fácil.
É simples porque se revela nas escolhas que fazemos no presente. Difícil, porque essas escolhas exigem coragem:
Coragem de olhar para dentro.
De se responsabilizar.
De viver com atenção plena.
Então sim — o tempo cura… o presunto.
Mas você?
Você só se cura com verdade, presença e a decisão de se cuidar por inteiro.
Pergunta para o leitor:
E você? Tem esperado que o tempo resolva ou tem usado o tempo para se transformar?

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