A princípio, foi estranho.
Aquela enorme bola branca flutuando no céu, rente ao horizonte, parecia quase tocar a floresta adiante.
Do alto do ônibus, minha vista alcançava quilômetros à frente. A BR-364 serpenteava por entre o verde da Amazônia, pontilhado por tons amarelados da relva. Em alguns trechos, uma névoa rente ao chão dava a ilusão de pequenos lagos brancos — como se a madrugada ainda dormisse sobre a terra.
Eram 6h23 da manhã de 11 de junho de 2025. Uma placa indicava o km 654 Norte. Eu estava bem próximo de Porto Velho.
Na noite anterior, li algo curioso sobre a lua. Tenho o hábito de observar suas fases. É quase um ritual silencioso. Naquela noite, algo me chamou a atenção: era a Lua do Veado.
A Lua do veado recebe este nome por ter relação com o mês de julho. Nos Estados Unidos, este período marca a época em que veados e cervos começam a desenvolver seus chifres, entrando na fase adulta. Um símbolo de crescimento e de força que brota discretamente no meio da natureza selvagem.
Mas o que há de especial nessa lua?
Já comprovei em mim mesmo a influência da lua — sobre o sono, o humor, os ciclos da natureza e até sobre nossas relações. Por isso, encarei o fenômeno com aquela mistura de curiosidade e reverência. Mais uma vez, me propus a observar seus efeitos sutis sobre o corpo e a alma.
Brinco com a Deise dizendo que, nesses dias, o nosso número Sete (o Jr.) entra em modo turbo. Já o vi em ação durante uma lua cheia e é quase mágico.
Penso que, se soubesse disso quando criei os outros filhos, teria me preocupado menos com suas agitações noturnas e compreendido melhor os ritmos internos da infância. Hoje, tudo isso me faz integrar mais — observar, escutar, conectar o comportamento humano com os fenômenos naturais. E é fascinante perceber como estamos profundamente ligados àquilo que costumamos chamar de “fora”.
Já é um hábito meu vigiar o próprio humor durante a lua cheia. Noto como as pessoas ficam mais sensíveis — mais intensas, por vezes impacientes. Os “nervos à flor da pele” parecem uma constante coletiva. E aprendi a não tomar tudo como pessoal. Quando alguém reage de forma ríspida, costumo dizer com leveza:
— Relaxa… é só a lua cheia passando.
Dependendo da intimidade, eu arrisco mais uma brincadeira:
— Amiga, isso vai passar logo. Cuidado com o que diz, porque vai se arrepender rapidinho. É só coisa da lua…
Sim, a lua mexe com a gente.
E talvez o segredo esteja justamente nisso:
Observar mais. Reagir menos. Sentir com presença.
Reconhecer os ciclos — os da natureza, e os nossos.
E você? Já percebeu como os ciclos da lua afetam seu humor, sua energia ou seus sonhos?
Conte nos comentários ou apenas reflita: o quanto da sua alma ainda escuta o céu?

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