Estou num lugar lindo. Um resort luxuoso, natureza por todos os lados, tudo perfeito. Mas o que me veio à mente aqui não foi o conforto — foi o cansaço do controle.
Já reparou que a maioria dos nossos sofrimentos tem a ver com controle?
A gente quer controlar tudo: o tempo, o outro, o futuro. E por trás disso, quase sempre tem um desejo. Ou melhor: um desejo disfarçado de necessidade.
Desde criança, aprendemos a controlar nossos movimentos, palavras, impulsos. Isso é natural. Mas tem um tipo de controle que prende a alma: aquele que nasce do desejo de moldar o mundo à nossa imagem.
Desejar, muitas vezes, é tentar garantir que algo seja do nosso jeito. Só que, quanto mais tentamos controlar, menos livres nos sentimos. E o paradoxo aparece: o desejo que deveria nos libertar, começa a nos aprisionar.
Já vi (e vivi) isso muitas vezes. Gente que só se permite ser feliz quando conquista algo. Como se a vida fosse um jogo de condições. E aí, mesmo quando conquista… já deseja outra coisa.
A plenitude não mora aí. Nunca conheci alguém que, ao realizar todos os seus desejos, disse: “Agora sim, estou em paz comigo.”
Desejar faz parte da vida. Mas desejar sem se conhecer — sem olhar para dentro — é correr em círculos.
Hoje, minha reflexão é simples:
O desejo que não te aproxima de quem você realmente é, te afasta de tudo que importa.

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