Atire a primeira pedra quem nunca se culpou por algo.
Fato é: muitas vezes nos sentimos culpados pela dor do outro.
Mas, se olharmos com mais atenção, talvez percebamos que cada consciência tem suas próprias escolhas e vontades.
Sim, há exceções — pessoas emocionalmente instáveis ou incapazes de discernir suas ações.
Mas, na maioria dos casos, a dor do outro não é responsabilidade sua.
A reflexão de hoje é sobre você: como você lida com o sentimento de culpa?
Do ponto de vista da psicologia profunda, essa culpa que te persegue talvez nem seja sua.
Talvez seja a voz antiga de alguém que te fez acreditar que o amor dependia da sua obediência.
Ou o eco de uma infância onde agradar era mais seguro do que existir.
Será que já é hora de devolver essa culpa a quem ela pertence?
Como podemos encarar esse sentimento?
Primeiro, é preciso reconhecer: a culpa tem muitas faces.
Ela pode ser uma tentativa inconsciente de manter vínculos — mesmo que sejam vínculos de dor.
Pode ser um modo de se punir por não ter sido aquilo que esperavam de você.
Ou até mesmo um mecanismo infantil de controle:
“Se a culpa é minha, então ainda tenho algum poder sobre o que aconteceu.”
Mas a verdade é simples: culpa só se dissolve quando você olha para ela sem medo.
Você não precisa combatê-la, nem negá-la.
Acolher é mais eficaz do que resistir.
Pergunte-se:
Essa culpa é atual ou é antiga?
Ela nasceu de um fato real ou de uma expectativa alheia?
O que estou tentando consertar com essa dor?
Quando você se faz essas perguntas com honestidade, algo começa a se mover por dentro.
A culpa revela sua verdadeira origem — e deixa de ser um castigo invisível para se tornar uma oportunidade de libertação.
Por fim, libertar-se da culpa não é esquecer o que passou.
É lembrar com maturidade — e escolher não se ferir mais por isso.
Você não precisa mais carregar o peso de histórias que não são suas.
Nem viver como se a sua existência estivesse sempre em dívida.
A culpa pode ter sido útil um dia.
Hoje, talvez seja apenas uma cerca invisível entre você e a paz.
Então respire fundo.
Reconheça o que é seu — e devolva o que não é. Essa pode ser a virada mais silenciosa e mais poderosa da sua história: a de viver leve, com verdade, e em paz consigo.

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