Uma Pergunta que Revela Muito Sobre Você
Essa pergunta me foi feita por uma paciente durante uma sessão. Era mais do que curiosidade — havia uma dor real por trás da dúvida.
E como responder algo assim sem cair em explicações rasas?
Porque, se formos honestos, todos já nos perguntamos isso em algum momento.
Já olhamos para o sofrimento alheio com espanto. Ou para o nosso próprio, com incompreensão.
A verdade é que o sofrimento não é algo que se mede do lado de fora.
Ele é íntimo.
Ele não depende apenas do que acontece com alguém, mas do que acontece dentro de alguém.
Duas pessoas podem viver perdas parecidas, enfrentar dificuldades semelhantes, mas reagirem de formas completamente diferentes.
Isso não é sinal de fraqueza ou força — é sinal de história.
Cada alma carrega um repertório afetivo único.
Há dores que vêm de longe.
Há culpas antigas que nem sabemos que estão lá.
Há traumas que silenciam. E há sentidos que sustentam.
Como psicanalista, aprendi que o sofrimento é a linguagem do inconsciente.
Freud dizia que ele brota daquilo que reprimimos — desejos, dores, lembranças.
Jung via o sofrimento como um mensageiro da alma, um aviso de que nos afastamos de quem realmente somos.
Já Viktor Frankl, que sobreviveu aos horrores de um campo de concentração, afirmava que “o sofrimento só se torna insuportável quando perdemos o sentido.”
E é aí que tudo começa a fazer mais sentido para mim:
não sofremos mais ou menos apenas pelo que nos acontece, mas por como interpretamos, sentimos e ressignificamos o que nos acontece.
Nosso nível de consciência, nossa história de vida, nossos afetos reprimidos, nossa fé (ou a falta dela), tudo isso molda a forma como sofremos.
Não existe régua exata para a dor.
O que dói em mim talvez não doa em você — e está tudo bem.
O importante é acolher sem julgar. Ouvir sem comparar.
Talvez o verdadeiro alívio não esteja em sofrer menos, mas em compreender melhor o que dói.
E dar um sentido novo ao que, por dentro, ainda não cicatrizou.

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