Desde que iniciei minha jornada de autoconhecimento, uma inquietude me acompanhava como sombra: haveria um ponto de chegada? Um lugar dentro de nós onde o ego pudesse, enfim, repousar em paz, sentindo-se pleno?
Por um tempo, acreditei que sim. Que talvez existisse um estado de equilíbrio interior — uma espécie de sol interno — onde tudo girasse em perfeita harmonia. Imaginei que esse ponto fosse o ápice da individuação, como ensinou Jung: o ego em sintonia com o Self, o verdadeiro centro da alma.
Mas então surgiu uma pergunta que desmontou minhas certezas:
Por que, mesmo com conquistas, amor e propósito, ainda nos sentimos incompletos?
Essa sensação de vazio, de insatisfação crônica, parece ser a companheira fiel daqueles que ainda não deram o salto mais importante da vida interior: o salto da posse para o pertencimento.
Muitos vivem em guerra com suas próprias emoções, tentando controlar a vida, vencer batalhas internas, dominar sentimentos. Mas essa é uma luta impossível. Porque o caminho do autoconhecimento não é sobre conquistar — é sobre integrar. Não se trata de vencer o ego, mas de colocá-lo no seu lugar certo: ao redor do Self, não no centro.
Certa vez, li um pensamento atribuído a Jung que me marcou profundamente:
“Sentir que o Self é uma coisa irracional, um existente indefinível, ao qual o ego não se opõe, nem se submete, mas apenas se vincula — e em torno do qual gira, tal como a Terra em torno do Sol.”
Essa imagem é poderosa.
Ela nos convida a abandonar a ilusão de sermos o centro de tudo.
O ego — esse pequeno eu que sofre, teme, compara e deseja — não precisa desaparecer, mas precisa aprender a girar ao redor do que realmente importa.
E o que importa não é vencer o mundo, mas pertencer a si.
Não é controlar tudo, mas encontrar seu lugar no todo.
Quando compreendemos isso, a inquietação dá lugar à serenidade.
E o que antes era vazio se transforma em espaço: espaço para ser, para sentir, para pertencer.

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