Quando o desejo não é o que parece, é o chamado que vem da alma. O desejo é uma força presente em todos nós. Às vezes, ele parece puramente erótico — ligado ao corpo, à atração, ao prazer. Mas, na verdade, ele é muito mais do que isso. O desejo é uma manifestação do inconsciente, e quase sempre tem um significado muito mais simbólico que literal.

Todos desejamos. E não há nada de errado nisso.
O problema é quando idealizamos o outro — projetando nele algo que, na verdade, está dentro de nós, mas ainda não reconhecemos. Desejamos aquilo que nos falta — ou melhor, aquilo que nossa alma clama para integrar.

Se quisermos entender de verdade os nossos desejos, precisamos de uma boa dose de coragem e honestidade interior. Não dá para terceirizar esse processo. Ninguém pode curar sua alma por você.
O autoconhecimento é um caminho solitário — mas também é o mais verdadeiro.

Foi Freud quem lançou as bases para entender o desejo como força vital — a libido —, algo que nos move desde as camadas mais profundas da infância até a vida adulta. Mas foi Jung quem deu um passo além: ele viu que essa energia do desejo não serve apenas para buscar prazer. Ela também nos guia rumo à totalidade — num processo que chamou de individuação.

Quando olhamos o desejo com os olhos da psicologia junguiana, percebemos que ele não é apenas um impulso. Ele é chamado da alma.
O desejo aponta para partes de nós mesmos que ainda estão no escuro. Ele nos revela aquilo que ainda falta integrar — nossa força, nossa ternura, nossa sombra e nossa luz.

Por fim, desejar é humano. Mas escutar o que o desejo tem a dizer — isso é despertar.
Nem sempre o desejo quer o que parece querer. Às vezes, por trás da fantasia, está um convite:

“Volte-se para si mesmo. Descubra quem você é.” Quando você escuta o desejo com profundidade, ele para de te arrastar — e passa a te guiar.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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