Tive um insight nesta madrugada. Senti um impulso de falar sobre algo que, na verdade, sempre esteve à minha porta: a procrastinação. Ou, talvez, o receio de encarar a vida como ela é. Agir. Responder de pronto. Simples assim — mas nem sempre fácil.

Todos nós, em algum momento, nos vemos paralisados. Diante de decisões importantes, sentimos um desalento inexplicável. Um vazio. Uma pausa que, às vezes, vira desistência.

Freud já dizia: “o ego não é senhor em sua própria casa.” Muitas vezes, não adianta nos culparmos por não agir — porque a força que nos paralisa pode vir de um lugar mais profundo. Do inconsciente.

A procrastinação, nesse sentido, não é apenas preguiça. Pode ser um sintoma, uma forma de o psiquismo evitar um sofrimento maior. Adiar pode ser uma defesa — uma maneira silenciosa de não se confrontar com algo que nos assusta ou nos ameaça em nosso núcleo mais íntimo.

Mas o que exatamente nos assusta?

Para Jung, a vida nos convoca constantemente a um processo de individuação — o caminho de tornar-se quem se é. Só que esse caminho é cheio de bifurcações, e cada escolha implica renunciar a algo. A alma sente. E às vezes, para não sofrer, ela paralisa.

Congelamos.

A impressão é de que nunca estamos prontos. Nunca maduros o suficiente. Nunca fortes o bastante. E com isso, adiamos… até que esse adiamento vire hábito. Um modo de viver.

E o hábito, como sabemos, molda o destino.

Por isso, é essencial compreender: ficar parado também é uma escolha. E essa escolha — repetida dia após dia — nos distancia do nosso próprio fluxo vital. Nos afasta do que viemos realizar nesta existência.

Jung dizia que “aquilo a que você resiste, persiste.” E talvez o segredo esteja exatamente aí: em parar de resistir. Em aceitar que o momento de agir não é o ideal, nem o futuro, mas o agora. Sempre o agora.

O ato mais transformador que alguém pode fazer por si mesmo é começar. Mesmo sem garantias. Mesmo com medo.

Porque, no fundo, a alma não quer perfeição. Ela quer movimento. Ela quer viver.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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