Numa recente aula sobre alta performance, me peguei refletindo com mais profundidade sobre o que significa, de fato, ter sucesso. E por isso, hoje quero te convidar a pensar comigo: o que é sucesso para você?
Vivemos numa era em que o sucesso é frequentemente confundido com ostentação. Basta olhar as redes sociais. Lá, a métrica do sucesso parece ser medida por carros caros, viagens luxuosas, corpos perfeitos e rotinas “impecáveis”. Mas será mesmo que isso é sucesso? Ou estamos apenas diante do velho excesso, agora travestido de vitória?
Essa reflexão me interessa especialmente porque neste espaço falamos de empirismo e autoconhecimento. E não há autoconhecimento verdadeiro se não nos perguntarmos: de onde vêm as nossas ideias sobre sucesso? A quem elas servem?
O dilema talvez esteja aí: confundimos abundância com excesso. Mas são coisas bem diferentes. A abundância tem a ver com fluxo, equilíbrio, presença. Está mais próxima da natureza, que é abundante, mas não esbanja. O excesso, por sua vez, nasce da falta — do medo, da insegurança, da comparação constante.
Olhe à sua volta. Observe como as pessoas se mostram nas redes. Quase sempre, quando se fala em sucesso, o que vemos são imagens de exagero: do consumo, do acúmulo, da superexposição. Mas o sucesso verdadeiro não precisa gritar.
Tenho um método simples para me reconectar com o que realmente importa: penso na nossa ancestralidade. Lembro dos nossos antepassados — os Homo sapiens — que viveram durante dezenas de milhares de anos como caçadores-coletores nas savanas africanas. Eles não tinham excesso. Mas viviam em abundância. Tinham o suficiente para viver, amar, criar filhos e contar histórias ao redor do fogo.
Eles legaram a nós sua genética — e talvez também uma sabedoria esquecida: a de que sucesso não é acúmulo, mas continuidade. Não é o que se exibe, mas o que se sente.
Sucesso, talvez, seja acordar em paz com quem se é. Sentir-se inteiro. Ser capaz de agradecer sem precisar mostrar. Ter liberdade de pensar, amar e existir sem depender do aplauso dos outros.
Pense nisso. E se quiser, me conte: para você, sucesso é abundância — ou apenas excesso?

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