Você já se pegou pensando que só seria feliz se tivesse alcançado aquele desejo antigo? Dinheiro, status, casamento ideal, o sucesso que parecia ser o ponto final da jornada?
Pois talvez seja hora de questionar se o que você deseja… realmente te realiza.
Pense um pouco… Quantas vezes você já disse — ou ao menos pensou — algo como:
“Se eu tivesse mais dinheiro… Se tivesse feito tal faculdade… Se tivesse investido naquele negócio… Ou se tivesse me casado com fulano(a)…”
E então concluiu: “Estaria realizado na vida.”
Reflita com frieza: isso são apenas desejos. E conquistar um desejo não é garantia de realização — tampouco de felicidade.
O fato é que passamos pela vida enxergando a realidade a partir de um filtro pessoal — o ego.
Talvez tenhamos vindo ao mundo com um “bug mental”, como dizia Freud: uma programação inconsciente baseada na busca de prazer e na fuga da dor.
Enquanto escrevo, me ocorre um insight: talvez devêssemos chamar isso de Síndrome do Gênio da Lâmpada — essa ideia de que basta realizar um desejo para que a vida se resolva como num passe de mágica.
O mais curioso é como somos presunçosos nesse sentido. Achamos que o que desejamos é necessariamente o propósito da nossa existência.
Hoje entendo: a simples capacidade de diferenciar um desejo egóico de uma busca com sentido já é um salto de consciência. E foi isso que me permitiu não escolher entre “ser” ou “ter”, mas viver com propósito — mesmo que à margem das conquistas que o ego valoriza.
Mais do que isso: reconhecer que somos alma e espírito — e não apenas corpo e desejo — é essencial para nos tornarmos, de fato, seres plenos. E só o autoconhecimento pode nos levar até esse ponto.
O que percebi, na jornada de quem já cruzou os cinquenta, é que conhecer a si mesmo talvez seja a parte mais importante do caminho para nos tornarmos inteiros.
Hoje, não costumo mais desejar com ansiedade, mas sim cultivar percepção e escuta da vida no presente — seja em cada interação com meu pequeno guri (o sétimo), seja na contemplação do início de um novo dia.
Esse simples ato já me oferece a certeza de infinitas possibilidades — não por aquilo que posso desejar, mas por estar vivendo plenamente cada instante.
Não por acaso, Freud — já em sua maturidade como psicanalista — escreveu Além do Princípio do Prazer.
Talvez também ali estivesse buscando esse sentido que só se encontra…
além dos desejos.

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