Pane na Luz, Colapso na Alma

Foi apenas uma falha técnica — um apagão nos sistemas de energia que afetou Portugal e Espanha. Mas bastou isso para que o mundo, aos olhos de muitos, parecesse ter virado de cabeça para baixo. Vi a notícia e, mais do que a pane em si, me chamou atenção a reação das pessoas: uma mistura de pânico, urgência e confusão.

Não havia bombas, não havia tanques nas ruas. Nenhum inimigo à vista. Mas ainda assim, parecia guerra. E me perguntei: como reagiriam essas mesmas pessoas se, de fato, estivessem sob uma guerra?

A resposta veio rápida: estamos psicologicamente frágeis e tecnologicamente dependentes. A ausência de energia elétrica não comprometeu apenas geladeiras ou semáforos — comprometeu o senso de continuidade emocional.

“O que vou fazer sem internet?”, ouviu-se de muitos. O smartphone sem bateria foi tratado como um corpo morrendo. E, de certa forma, foi exatamente isso: o colapso de um corpo simbiótico entre homem e máquina.

Nosso cotidiano depende da luz. Mas nosso estado emocional parece depender ainda mais da conectividade. A ausência de sinal se transformou, para muitos, na ausência de sentido.

E aqui entra uma das frases mais precisas que já li sobre a condição humana. Está na obra-prima de Viktor Frankl, Em Busca de Sentido:

“Desespero é sofrimento sem sentido.”

Frankl, sobrevivente do Holocausto, sabia o que era perder tudo — menos o sentido. E talvez seja isso que nos falta hoje. O apagão não revelou apenas a falha de um sistema elétrico. Revelou a falência de uma alma que não sabe mais estar sozinha, que não suporta o vazio, que não tem mais sentido próprio.

O que nos causa estados de ansiedade e estresse desarrazoado? A desesperança. Poderíamos resumir:

Desespero é a dor que nasce da perda do sentido e da esperança. É quando a alma grita, mas ninguém responde — nem mesmo ela mesma.

Essa é a verdadeira crise. A falta de luz, de fato, foi só o gatilho.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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