Já faz algum tempo que venho refletindo sobre a raiz dos nossos males — aqueles que insistem em permanecer, mesmo depois de tantas tentativas de solução.
Acredito que muito disso se liga a dois fantasmas que nos acompanham: o controle e a expectativa.
Quando olho para trás, percebo que aquilo que antes era fonte de estresse e aflição hoje já não me afeta.
Por quê?
Porque deixei de esperar muito das pessoas.
Na verdade, quase não tenho expectativas quanto ao outro.
Pode soar sombrio, mas é uma constatação real dessa existência.
Pense um pouco: sempre que esperamos que algo ocorra de determinada forma — especialmente se isso depende de outra pessoa — estamos abrindo espaço para a frustração.
Não porque o outro falha, mas porque criamos, dentro de nós, a fantasia de que o mundo seguirá o roteiro que escrevemos em silêncio.
O problema não está no outro.
Está na nossa crença de que tudo deveria ser como imaginamos.
Esse desejo de controle, alimentado pelo ego, é uma das maiores fontes de sofrimento psíquico.
E o pior: vivemos cercados de expectativas.
Esperamos do cônjuge, do chefe, dos filhos, de Deus…
Mas esquecemos de algo fundamental: não podemos controlar o outro.
O que podemos fazer — e isso está ao nosso alcance — é confiar mais em nós mesmos.
Na relação com o outro, cultivar presença, escuta, amor… mas não projetar.
Não esperar que o outro corresponda exatamente à imagem que criamos.
Sim, isso já foi dito por tantos antes de mim.
A filosofia budista, por exemplo, ensina que não temos controle sobre quase nada — e que a paz está justamente em aceitar isso.
O caminho é para dentro.
Buscar a melhor versão de nós mesmos.
Adquirir conhecimento.
Viver a verdade.
E, acima de tudo, sermos verdadeiros conosco.
O outro é o outro.
E libertar-se dessa expectativa é o início da verdadeira paz.

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