Pense um pouco…
Muita gente vive mergulhada em um desconforto constante, achando normal conviver com ansiedade, tensão muscular e um coração sempre acelerado.
É como se estivéssemos habituados a afogar o corpo em doses diárias de cortisol — o hormônio do estresse.
Lembro de uma antiga cliente da advocacia. Mulher de meia-idade, com uma rotina aparentemente estável. Mas por dentro, vivia em alerta.
Dizia com frequência: “Preciso ir pescar para desestressar.”
Um dia, perguntei:
— Por que só na pescaria você consegue relaxar?
Ela respondeu:
— “Porque lá o celular não toca.”
Simples assim. Ela vivia com medo.
Com medo de que, a qualquer instante, uma notícia ruim surgisse em uma ligação.
Esse é o medo que não protege.
É o medo que machuca.
O medo real, o instintivo, nos mantém vivos.
Mas o medo que nasce da imaginação — de um futuro que não chegou e talvez nunca chegue — nos paralisa.
É o medo do fracasso antes da tentativa.
É o medo da rejeição antes do encontro.
É o medo da dor antes da ferida.
Esse tipo de medo se disfarça de prudência, mas na verdade, rouba sua vida presente.
Ele adoece o corpo, enfraquece a alma e paralisa a ação.
Quantas vezes você já sofreu por algo que nunca aconteceu?
Quantas noites mal dormidas, quantos pensamentos acelerados, quantas decisões adiadas?
Sofrer por antecipação é pagar juros por uma dívida que talvez nunca exista.
E quando a vida real chega, você já está cansado de travar guerras que não precisavam ter sido lutadas.
Você não precisa eliminar o medo.
Mas pode aprender a reconhecê-lo — e não deixá-lo decidir por você.
Respire.
Volte para o agora.
A vida acontece aqui — e aqui você ainda tem escolha.

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