Não há como evitar: todos nós, em algum momento, passaremos pelo sofrimento.
Seja pela perda, pela decepção, pela solidão ou pela ruptura de algo que julgávamos eterno.
O sofrimento nos rasga — e ao mesmo tempo, nos revela.
Por muito tempo, tentei entender por que certas dores pareciam tão fundas, tão difíceis de nomear. Até que compreendi: não era a dor que estava errada. Era a forma como eu a interpretava.
Aprendi com Viktor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração e criador da logoterapia, que o ser humano pode suportar quase tudo — desde que encontre um sentido.
E aprendi com Jung que a dor pode ser a linguagem da alma quando ela não está sendo ouvida.
O sofrimento não é castigo.
Ele é, muitas vezes, o ponto de inflexão. A encruzilhada entre continuar dormindo ou começar a despertar.
É no fundo do poço que, às vezes, descobrimos uma nascente.
Quantos de nós só buscamos ajuda, só começamos a refletir, só nos voltamos para dentro… depois de uma perda, de uma queda, de um luto?
O sofrimento nos obriga a parar. E nesse instante em que tudo parece ruir, a alma sussurra:
“Você está pronto para nascer de novo?”
Mas isso exige coragem.
Porque não se trata de apagar a dor, mas de atravessá-la.
De permitir que ela nos transforme, em vez de apenas nos ferir.
Talvez o maior erro que cometemos com o sofrimento seja tentar nos livrar dele o mais rápido possível, sem perguntar o que ele veio nos ensinar.
Quando olhamos para a dor com olhos sinceros, ela revela o que precisa morrer em nós — e o que deseja nascer.
Siga nossa série de seis reflexões sobre “A Inquietude Humana e o Chamado da Alma” – amanhã LEIA #5 – “O Chamado da Alma e o Mito do Herói Interior”

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