Há um engano silencioso que nos acompanha desde cedo: a ideia de que um dia nos sentiremos completos.
Como se houvesse um ponto de chegada. Um lugar onde tudo finalmente se encaixa e o coração repousa em paz permanente.
Esse ideal de completude é vendido em tantas embalagens: um grande amor, uma carreira de sucesso, filhos realizados, estabilidade financeira, reconhecimento. E assim seguimos, desejando. Sempre desejando.
Mas… e quando alcançamos aquilo que tanto buscamos e, ainda assim, sentimos um eco interno dizendo: “não era isso”?
A verdade é que o desejo é uma chama que não se apaga com o que a sacia — ela arde porque nasce de outra fonte.
E essa fonte não é do mundo. Não é do ego. É da alma.
A sensação de “ainda falta algo” não é sinal de fracasso. É sintoma de uma desconexão mais profunda: a desconexão com o nosso ser essencial.
Jung dizia que a alma tem sede de sentido.
Não de conquistas, nem de certezas — mas de sentido.
Talvez seja por isso que tantos vivem angustiados mesmo em meio a “vidas bem-sucedidas”. Porque confundimos plenitude com completude.
E confundimos completude com acúmulo.
Só que a alma não se sacia com acúmulo. Ela se expande com verdade.
E a verdade nem sempre é confortável — mas é libertadora.
Quando reconhecemos que a sensação de incompletude é uma chamada interior — não um defeito, mas um convite — algo em nós muda.
Deixamos de correr atrás de fantasmas e começamos a caminhar para dentro.
A busca por completude pode ser, na verdade, a busca pela reconexão com quem somos.
Com a parte mais esquecida de nós.
Siga nossa série de seis reflexões sobre “A Inquietude Humana e o Chamado da Alma” – amanhã LEIA #3- “O Vazio e o Inconsciente: Quando a Alma Sussurra”

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